Loujin Ahmed Nasif. Artigo de Tonio Dell'Olio

Família de Loujin Ahmed Nasif em bote de travessia do Mediterrâneo. Foto: Reprodução La Stampa

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15 Setembro 2022

 

"Loujin Ahmed Nasif tem um nome, e ela também tinha quatro anos. Ela também estava fugindo da guerra, aquela da Síria, como as meninas e os meninos ucranianos. Quem vive na condição de guerra deve ser retirado de casa e ajudado a se pôr a salvo, deve ser acolhido e não criminalizado, reconhecido. Devem ser acolhidos aqueles que fogem da fome da guerra e aqueles que fogem da guerra da fome. Sem distinções", escreve Tonio Dell'Olio, padre, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 14-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Quando as vítimas não têm nome, elas simplesmente não existem. É por isso que os nazistas imediatamente substituíram a identidade dos internos dos campos por um número tatuado no antebraço esquerdo.

 

Loujin Ahmed Nasif, por outro lado, tem um nome - e como! - e ela também tinha quatro anos. Ela também estava fugindo da guerra, aquela da Síria, como as meninas e os meninos ucranianos. Quem vive na condição de guerra deve ser retirado de casa e ajudado a se pôr a salvo, deve ser acolhido e não criminalizado, reconhecido. Sim, com um nome e um sobrenome. Aqueles que fogem da guerra, de qualquer guerra. De todos os pontos da terra e de todo tipo de guerra. Devem ser acolhidos aqueles que fogem da fome da guerra e aqueles que fogem da guerra da fome. Sem distinções.

 

Loujin Ahmed Nasif tinha quatro anos e muita sede e fome em um barco de pesca à deriva há dez dias. Teria sido necessário pouco para resgatá-la junto com os outros 60 que compartilhavam a mesma odisseia miserável. Mas o mundo só tinha olhos (e lágrimas) para a Rainha da Inglaterra.

 

Como uma interminável ladainha, gostaria de tentar repetir o nome de Loujin Ahmed Nasif. Como ela não se salvou da falta de água, que pelo menos se salve da falta de memória. E da humanidade.

 

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