Como habitar o digital em estilo cristão. Prefácio do Papa Francisco

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25 Junho 2022

 

O pontífice assina o prefácio do livro organizado por Fabio Bolzetta que reúne as muitas experiências tutoriais realizadas pela Weca, a Associação dos Webmasters Católicos Italianos.

 

Como criar um site para a paróquia? E como usar as mídias sociais para a pastoral? Essas são algumas das perguntas respondidas por “La Chiesa nel digitale” [A Igreja no digital], livro organizado por Fabio Bolzetta, publicado pela editora Tau (248 páginas).

 

Capa do livro La Chiesa nel digitale, de organizado por Fabio Bolzetta (Foto: Divulgação | Editora Tau)

 

Nascido a partir da experiência dos 150 tutoriais em vídeo da Weca, o livro oferece um caminho para refletir, descobrir, compartilhar nas redes sociais digitais e publicar na internet a experiência de uma Igreja presente no mundo digital.

 

A associação Weca foi legalmente constituída em 22 de maio de 2003. Nasceu da solicitação de cerca de 40 webmasters católicos que desejavam criar um espaço compartilhado e sinérgico para se reconhecerem e se apoiarem em projetos de formação e em estratégias futuras. A associação, explica o site Weca, oferece-se como um ponto de referência para os sites de inspiração católica, cuja atividade inclui: a promoção de atividades formativas, educativas e culturais; a divulgação de iniciativas e propostas de uso da rede para atividades pastorais; a criação, desenvolvimento e oferta de soluções de software e de tecnologias de infraestrutura para facilitar o acesso do mundo católico à rede digital.

 

O livro de Bolzetta abre-se com o prefácio do Papa Francisco, que o jornal Avvenire, 21-06-2022, publicou na íntegra. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

Repeti várias vezes que não é possível sair de uma crise igual como antes: saímos melhores ou piores. O período difícil que a humanidade atravessa devido à pandemia tornou evidente não apenas que só sairemos dessa crise se sairmos juntos, mas também nos fez compreender como podem ser úteis os instrumentos tecnológicos e as redes sociais digitais.

 

Vimos isso durante os períodos de lockdown, quando não foi mais possível se encontrar, celebrar a Eucaristia juntos, ficar perto dos nossos entes queridos doentes, unir-se em oração ao lado de um parente ou de um amigo que nos deixou. É como se tudo aquilo que assumíamos como evidente nos tivesse sido tirado, colocando-nos diante da nossa fragilidade constitutiva.

 

Nessas situações, muitos se esforçaram para manter vivas as relações humanas e comunitárias. Penso em muitos sacerdotes que usaram bem as tecnologias e as redes sociais digitais para fazem com que não faltasse ao povo de Deus o contato com a Sua Palavra, oferecendo a possibilidade de assistir à missa.

 

As redes sociais digitais foram usadas para se manter em contato, para sinalizar as necessidades, para não nos fazer sentir sozinhos, para ativar iniciativas de caridade, para continuar nos vendo face a face à espera de nos abraçar novamente.

 

Os especialistas dizem que algumas das mudanças que ocorreram, devido ao uso mais frequente da tecnologia para encontros virtuais, estão destinadas a permanecer por um longo tempo mesmo após o fim da emergência da pandemia. O tempo que vivemos fez com que muitos sacerdotes se ativassem com criatividade para manter o contato com os fiéis e para acompanhá-los.

 

Não faltaram erros e excessos. Mas, quando essas tentativas colocaram no centro a mensagem a ser comunicada, e não o protagonismo do comunicador, devemos reconhecer que foram úteis.

 

A Associação dos Webmasters Católicos Italianos (Weca), nesses últimos dois anos, encontrou-se e conversou com sacerdotes de todas as idades, comprometidos, também por meio das novas tecnologias, em manter unidas as comunidades que lhes foram confiadas. O uso de um telefone diante da proibição de comparecer aos funerais para os familiares ou a promoção de encontros por streaming para tranquilizar, encontrar, estar sempre presente e próximo impulsionaram, ainda mais, o crescimento do uso do digital também na pastoral.

 

Essa fase certamente foi excepcional, especialmente no que diz respeito à experiência da transmissão online das celebrações. O encontro virtual não substitui e nunca poderá substituir o presencial. O fato de estar fisicamente presente no partir do pão eucarístico e do pão da caridade, o fato de olhar nos olhos, abraçar-se, estar um ao lado do outro no serviço de Jesus nos pobres, apertar a mão dos doentes são experiências que pertencem à nossa vivência cotidiana, e nenhuma tecnologia ou rede social jamais poderá substituí-las.

 

No entanto, resta a necessidade de que o enorme crescimento, caracterizado por tanta criatividade e generosidade, seja agora acompanhado por uma nova consciência.

 

Neste livro, foram selecionadas dezenas de tutoriais em vídeo sobre Igreja e comunicação digital, dedicados especialmente aos sacerdotes. A generosidade e a espontaneidade que caracterizaram a fase de emergência devem ser agora acompanhadas de uma adequada formação. Há realmente muito a fazer, para crescermos juntos na consciência da importância, mas também dos riscos que o uso desses instrumentos acarreta.

 

Há realmente muito a fazer para aprender a escutar; e para envolver e formar jovens, nativos digitais, que sejam capazes de revitalizar os sites das paróquias. A internet e as redes sociais podem ser habitadas por quem testemunha a beleza da fé cristã, por quem propõe histórias de fé e caridade vividas, por quem comunica com a linguagem de hoje a extraordinária novidade do Evangelho e por quem escuta assim como os apóstolos e os discípulos aprenderam a fazer com Jesus.

 

Sabemos, pelo fato de ter experimentado, que somente um encontro pessoal, não anônimo, com Jesus muda a vida. Sabemos, porque esta é a nossa experiência de todos os dias, que o amor deve ser cultivado com uma frequentação, com uma escuta e com uma convivência cotidiana. Sabemos que o virtual nunca poderá substituir a beleza dos encontros face a face. Mas o mundo digital é habitado e deve ser habitado por cristãos. Talvez por jovens que, a partir da sua fé, amanhã poderão ser protagonistas de novas formas de mídias sociais e de uma comunicação mais humana, mais capaz de escuta e de verdadeira partilha.

 

Porque a internet, território onde às vezes parecem prevalecer a voz que grita mais alto e a poluição das fake news, também pode se tornar um espaço de encontro e de escuta. A rede não nos fará sentir sozinhos se formos realmente capazes de “fazer rede”, e se o espaço virtual não substituir, mas ajudar na trama das nossas relações sociais de carne e osso.

 

A contribuição deste livro é preciosa para o crescimento dessa consciência, e devemos agradecer à Weca por tê-lo realizado.

 

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