Colômbia. Ambientalista de 14 anos morto. 145 ativistas mortos em um ano

Breiner David. (Foto: Reprodução Facebook)

Mais Lidos

  • Comando Vermelho usa drones gigantes para transportar até 20 fuzis FAL ou AR-15 entre favelas no Rio

    LER MAIS
  • Viver em contínuo Pentecostes. Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • “Esse debate se torna ainda mais importante em um ano eleitoral, porque é fundamental assegurar que os resultados positivos no combate à fome sejam preservados, independentemente de qual governo esteja no poder, seja de direita, seja de esquerda ou centro”, afirma o especialista

    "Os dados mostram que o Brasil conseguiu retornar a um nível de insegurança alimentar semelhante ao registrado em 2014, ano em que o país saiu do mapa da fome da ONU". Entrevista especial com Lucas Moura

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

20 Janeiro 2022

 

Breiner David, indígena Nasa, é o primeiro defensor da terra assassinado em 2022 no país mais letal para os ecologistas.

 

A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 18-01-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

"Um jovem defensor da vida Nasa, com grandes sonhos e ações coletivas". Assim, seu povo - os Nasa do Cauca - lembrou Breiner David Cucamañe López, o primeiro ambientalista massacrado em 2022. O crime ocorreu em 14 de janeiro - mas a notícia foi divulgada ontem - não por acaso na Colômbia, o país mais letal para os ativistas empenhados com a proteção da casa comum, segundo o último relatório da Global Witness.

O que torna o crime ainda mais atroz - condenado pelo governo e pelo departamento de direitos humanos da ONU -, é a idade da vítima: Breiner David tinha apenas 14 anos. Nas fotos, divulgadas nas redes sociais, ele parece ainda menor: o rosto de criança contrasta com o “bastão de comando” que sempre mantinha à mostra. Este é o símbolo da "guarda indígena estudantil Kiwe Thegna" da qual escolheu fazer parte. Os "guardiões da terra", como os Nasa os chama, são um grupo de civis empenhados na defesa das áreas indígenas dos caçadores de recursos e da violência das formações armadas que há décadas derramam sangue na Colômbia. A única arma que carregam é o "bastão de comando", sinal de uma autoridade a que, por muito tempo, até as facções em luta respeitavam. Agora não mais.

A lenta e insuficiente aplicação do acordo de paz de 26 de novembro de 2016 permitiu a proliferação de bandos armados que, tendo perdido toda razão política - verdadeira ou suposta - se dedicam apenas ao saque e ao negócio do narcotráfico. Justamente um deles, as chamadas "Farc dissidentes", facção guerrilheira que não aceitou o acordo, disparou contra Breiner David, enquanto patrulhava a área de Las Delicias, no município de Buenos Aires, segundo informou a Asociación de cabildos indígenas do norte do Cauca (Acin). Outro guarda indígena, Guillerme Chicane, também foi morto no tiroteio.

Vítimas que alongam a já longa lista de lideranças sociais assassinadas no país. No ano passado, foram 145, segundo a Defensoria del Pueblo, órgão público responsável pelo monitoramento. A ONG Indepaz fala em mais de 170 e, desde janeiro, contabiliza mais três ativistas mortos. O Cauca, onde Breiner David foi morto, encontra-se junto com o Vale de Cauca e o Chocó, no epicentro da violência.

 

 

Leia mais