“Francisco iniciou processos de mudança, mas gostaria que tomasse decisões mais claras”. Entrevista com Martin Maier, s.j., novo presidente de Adveniat

Foto: Jesuit European Social Centre

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03 Setembro 2021

 

Martin Maier era um jovem jesuíta alemão que viajou a El Salvador, atraído pelo impulso de dom Romero, o bispo assassinado e hoje santo da Igreja, em 1989. Ali, fez o doutorado sobre a teologia da libertação com Jon Sobrino e Ignacio Ellacuría. O acaso fez com que não pudesse ficar em casa, “não havia vagas para visitantes”, então foi para outra residência jesuíta, a dez minutos do lugar onde, no 16 de novembro de 1989, os esquadrões da morte assassinavam os mártires da UCA. Hoje, o sobrevivente é presidente da Adveniat, a maior ONG da Igreja Católica, com presença em todo o mundo.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 02-09-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“O momento foi perigoso para aqueles que seguiram o caminho de Oscar Romero e levaram a sério a opção pelos pobres, o projeto que a Igreja na América Latina fez para si mesma depois do Concílio Vaticano II”, explica, em uma entrevista ao katholisch.de. “Muitos padres e religiosos foram assassinados, mas também é importante ver que ainda mais leigos foram assassinados, 75 mil civis foram mortos durante a guerra civil em El Salvador”, acrescenta Maier. Desde então, El Salvador ocupa um "lugar no meu coração”, que várias vezes visitou.

 

Igreja dos pobres e ecologia

 

Maier conhece bem Bergoglio, que depois se tornou o Papa Francisco, e que “estabeleceu temas centrais” na instituição, começando pela “igreja dos pobres”, a “conexão entre a questão ecológica e a justiça global”, ou suas iniciativas no diálogo inter-religioso.

Francisco já iniciou processos de mudança, mas não se estão produzindo com a rapidez que alguns desejariam”, aponta, ainda que insista em que “gostaria que tomasse decisões mais claras”, como a questão dos ‘viri probati’.

 

A UE e as ameaças à liberdade

O novo presidente da Adveniat, que até então é representante dos jesuítas perante as instituições europeias, afirma que “os pilares essenciais da União Europeia assentam na doutrina social católica: dignidade humana, solidariedade, subsidiaridade”, embora aponte que “transmitir isso nem sempre é fácil”.

“Existem ameaças ao Estado de direito em alguns lugares, como a Polônia e a Hungria, onde a liberdade de imprensa, a separação de poderes e a independência do judiciário estão em xeque”, enfatiza Maier, que argumenta que “a história da UE é uma história de crise, mas também é uma história de laboriosa procura de compromissos (…). A grande conquista da UE é que hoje essas questões estão sendo lutadas e discutidas na mesa de negociações”.

 

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