Câmara anglicana apoia pedidos de impedimento do presidente da República

Foto: Marília Castelli | Unsplash

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22 Janeiro 2021

Sentindo o cansaço que leva até a exaustão, mas movid@s pelo Espírito Santo, bispas e bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) denunciam o descaso do governo federal no atual contexto brasileiro de sofrimento e pandemia, e apoiam entidades, movimentos, pessoas de boa vontade no encaminhamento de pedido de impedimento do presidente da República.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

“O descumprimento intencional de obrigações funcionais, a manifestação inconsciente de um desprezo pela vida, a defesa de torturadores e a ameaça velada de golpe nas eleições de 2022 já seriam razões suficientes para a responsabilização e o adequado processo de impedimento do Presidente”, diz o manifesto assinado pelo bispo primaz Naudal Alves Gomes, mais 12 bispos e duas bispas da Câmara Episcopal da IEAB.

O documento denuncia o presidente do Brasil por se esquivar “intencionalmente” da tomada de decisões voltadas à saúde do povo brasileiro. “Tanto ele quanto seu governo têm recomendado tratamentos ‘precoces’ sem respaldo científico, coisa que depois tentam negar, além de desestimular o uso de máscara e outras medidas de real prevenção”.

O descaso “como o povo a quem ele jurou servir” ficou patente no recente colapso da saúde em Manaus, quando o governo federal foi informado com devida antecedência da falta de oxigênio, mas que não mereceu nenhuma providência preventiva.

A liderança episcopal anglicana brasileira destaca a importância da vacina. “Nesse momento tão delicado da história da humanidade, sermos vacinados é uma atitude de amor para conosco e para com o próximo (Mateus 22.37-39)”, afirma, destacando que “vacinas salvam vidas”.

“Nós, bispas e bispos da IEAB, expressamos o nosso pleno apoio a todas as pessoas que trabalham no campo da ciência zelando pelo bem comum de toda a criação”. Os pastores e as pastoras episcopais também se distanciam “de qualquer segmento religioso que, evocando o Evangelho, legitime, apoie e estimule estas práticas cruéis desumanas e inaceitáveis” do governo federal.

A manifestação da liderança episcopal anglicana destaca que a marca do poder cristão é o serviço. A declaração emitida em 18 de janeiro passado, de que a democracia e a ditadura são definidas pelas Forças Armadas, “é um inequívoco sinal de que o Presidente desrespeita completamente os limites constitucionais, negando a soberania popular consagrada pela longa e sacrificada luta contra a ditadura militar”.

Para além das equivocadas políticas de enfrentamento do covid-19, “temos acima de tudo um problema que precisa ser enfrentado com a força do exemplo e presença de Jesus. São atitudes que vão além do campo político partidário e nos desafiam em termos de nossa fidelidade ao Evangelho. A compaixão pelo sofrimento das pessoas pobres, fragilizadas e doentes é característica que nos identifica como pessoas que estão comprometidas com a Boa Nova de Jesus Cristo”.

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