Pequim critica o Papa Francisco por seus comentários sobre os uigures

Foto: Carsten ten Brink | Flickr CC

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • Como o dinheiro dos combustíveis fósseis transformou a negação climática na “palavra de Deus”. Artigo de Henrique Cortez

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

25 Novembro 2020

Em seu novo livro, lançado em 1º de dezembro, o pontífice fala do sofrimento padecido pela minoria muçulmana no Xinjiang. Para os chineses, a posição do Santo Padre "não tem base factual". O drama dos campos de internamento. Analistas: O papa é cauteloso sobre o assunto para não pôr a perder o acordo sobre a nomeação dos bispos.

A reportagem é publicada por AsiaNews, 24-11-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O governo chinês criticou o Papa Francisco por seus comentários sobre o sofrimento padecido pelos uigures no Xinjiang. Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse hoje que as declarações do pontífice "não têm base factual". Ele respondeu que "todos os grupos étnicos do país usufruem de pleno direito à sobrevivência, ao desenvolvimento e à liberdade religiosa".

O trecho contestado por Pequim consta do último livro de Francisco ("Ritorniamo a sognare” [Vamos voltar a sonhar]), que será lançado no dia 1º de dezembro. Junto com aquelas dos uigures, o Santo Padre cita as perseguições aos muçulmanos rohingya em Mianmar, dos yazidis no Iraque e dos cristãos no Egito e no Paquistão.

De acordo com dados de especialistas, confirmados pelas Nações Unidas, mais de um milhão de uigures (de uma população de quase 10 milhões) e outras minorias islâmicas de língua turca estão arbitrariamente detidos no Xinjiang, que a população local chama de "Turquestão Oriental". Ativistas de direitos humanos e muitos governos, entre os quais os Estados Unidos e a União Europeia, descrevem os centros de detenção como verdadeiros campos de internamento. Depois de negar sua existência por anos, Pequim agora os chama de instituições educacionais para combater o terrorismo, o separatismo e o extremismo islâmico.

É a primeira vez que o pontífice se pronuncia sobre a repressão a uma minoria religiosa na China. Segundo vários observadores, sua cautela se explica pelo desejo de chegar a um acordo para a renovação do acordo sino-vaticano sobre a nomeação de bispos chineses, ocorrido no mês passado.

Leia mais