Dom Agostino Marchetto rebate algumas afirmações de Leonardo Boff

Dom Agostino Marchetto. | Foto: Wikimedia Commons

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11 Março 2020

O arcebispo emérito italiano Agostino Marchetto, considerado pelo Papa Francisco como o “grande hermeneuta do Concílio Vaticano II”, comenta o recente artigo do teólogo Leonardo Boff sobre a exortação “Querida Amazônia”.

O artigo é publicado por Il Sismografo, 07-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

Nessa terça-feira à noite, apareceu no blog de vocês a tradução de um texto de Leonardo Boff que eu li com muita atenção e não sem dor.

No fim, o autor, atestando uma lealdade “inabalável” ao Papa Francisco, acrescenta, porém, o velho lema “Amicus Plato, sed magis amica veritas” (evidentemente, a sua “verdade”). Ele continua atestando que compete ao teólogo buscar novos caminhos para os novos problemas, sempre a serviço das comunidades cristãs e da própria Igreja universal. Para o teólogo católico, eu acrescentaria um “catolicamente”, e sempre com respeito pela história. Pois bem, precisamente como historiador, acho que ela sofre com a presente intervenção.

A partir desse ponto de vista, vou me limitar (para não me alongar, o que aqui é impossível) a sublinhar a errônea afirmação de que somente no segundo milênio “só consagra quem é ordenado no Sacramento da Ordem”, e de que isso derivaria de questões políticas, isto é, das disputas de poder entre Imperium e Sacerdotium, entre papas e imperadores. O autor se esquece de que se trata da luta das Investiduras, pela libertas Ecclesiae.

Nesse ponto, puxar Congar a seu favor é incorreto, pois tal teólogo esteve entre aqueles que enfatizaram a dimensão religiosa, e não política, da chamada “Weltherrschaft”  (como diz Hauk) do papa. De fato, Congar acrescenta que, mesmo no mundo histórico alemão, houve uma mudança no julgamento a esse respeito (v. Sainte Eglise, pp. 672-673).

Isso já me dispensa – creio eu – de longas citações históricas minhas, também para outros assuntos dos meus estudos que Boff aborda no texto mencionado.

Com cordiais saudações, grato pela publicação.

+ Agostino Marchetto

 

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