A ‘carne que não é carne’ salvará o planeta?

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13 Novembro 2019

A conhecida empresa de embutidos Noel Alimentaria acaba de apresentar seu “primeiro hambúrguer análogo à carne ou plant-based, elaborado a partir de legumes, mas cujo sabor e textura reproduzem a vitela”, explica Jaume Planella, diretor corporativo desta empresa de Sant Joan les Fonts [Espanha]. O novo produto, que começará a ser comercializado no próximo ano, soma-se à linha de embutidos sem carne da empresa.

A reportagem é de Lorena Farràs, publicada por La Vanguardia, 12-11-2019. A tradução é do Cepat.

Além disso, o gigante do setor suíno Vall Companys surpreendeu, em agosto, ao anunciar a criação de uma empresa, a Zyrcular Foods, para a importação e distribuição de produtos de proteína vegetal. Para o ano de 2020, a Zyrcular Foods já dará o salto da distribuição à produção. Por outro lado, a rede de fast-food Burger King conta, a partir deste ano, com um hambúrguer 100% vegetal que simula o sabor, o cheiro, a cor e a textura da carne.

O setor de carnes vê como as alternativas vegetais à carne tradicional estão se abrindo gradualmente e como a carne sintética e cultivada começa a despontar. Essas alternativas, vistas como o futuro de uma alimentação mais ética e sustentável, têm sido o foco do encontro anual do setor, realizado na última quarta-feira, em Girona [Espanha].

“A sustentabilidade ambiental e a ética animal” são, segundo o setor, os principais motivos que levam os consumidores a eliminar ou diminuir o consumo de carne, tendência que leva as empresas a produzir carne sem carne. A ONU calcula que 14,5% das emissões de gases do efeito estufa derivadas da ação humana provêm da pecuária. Levando em conta o crescimento previsto da população mundial, o combate à crise climática exigirá uma redução de 40% no consumo de carne até 2050.

Como diminuir o consumo de carne ajuda a proteger o planeta? “A pecuária requer muita terra, supõe um grande consumo de água e energia (principal fonte emissora de gases do efeito estufa) e pode contaminar o solo e as águas”, alerta Jacint Arnau, pesquisador do Instituto de Pesquisa e Tecnologia Agroalimentares (Irta). Por outro lado, a carne feita com alimentos vegetais “requer menos terra e água e está livre de problemas ambientais, como, por exemplo, o manejo dos chorumes”, diz o pesquisador.

Mais “incerta e discutível” é a vantagem ambiental que supõe a carne cultivada ou sintética, segundo Arnau. Também conhecida como clean meat, é produzida mediante a reprodução de células-mãe de diversos tipos de tecido muscular. Trata-se ainda de uma alternativa experimental, mas em breve chegará ao mercado.

A basca Biothec Foods é uma das start-ups que trabalham nessa linha. “Estamos na fase de escalada da produção e em dois ou três anos, e uma vez que tenhamos submetido o produto à legislação europeia, planejamos lançar nossa carne de células musculares de porco no mercado”, comenta Íñigo Charola, diretor-executivo da Biotech Foods.

Na Espanha, 3,8 milhões de pessoas são veganas (não consomem alimentos de origem animal), vegetarianas (não consomem carne e nem peixe, mas, sim, ovos e laticínios) e flexitarianas (comem animais, no máximo uma vez por semana), coletivos que estão aumentando.

Um negócio suculento

O setor de proteína vegetal é um mercado com alta capacidade de crescimento. A cada ano, são produzidos 45 milhões de toneladas de carne, ao passo que o setor de proteína vegetal produz apenas 250.000 toneladas. Estima-se que em 2050 as alternativas à carne tradicional já representem 60% do mercado.

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