Às margens do Sínodo, grupo defende ordenação de mulheres

Foto: Vatican Media

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24 Outubro 2019

À medida que o encontro no Vaticano sobre a Amazônia se aproxima do fim nesta semana, um grupo está aproveitando a ocasião para buscar novos papéis de liderança para as mulheres, ao organizarem uma vigília de oração nessa terça-feira em apoio à ordenação de mulheres ao sacerdócio e ao diaconato.

A reportagem é de Christopher White, publicada por Crux, 23-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Sem mulheres, não haveria Igreja Católica na região amazônica”, disse Miriam Duignan, porta-voz do Women’s Ordination Worldwide (WOW), grupo que organizou o evento.

O encontro ocorreu às margens do rio Tibre, a poucos passos de onde, na segunda-feira, dois indivíduos haviam criado um frenesi em Roma depois de invadirem uma igreja romana para roubar a estátua de uma mulher grávida e nua que havia sido usada em várias cerimônias do Sínodo e jogá-la no rio.

Os críticos da estátua acusaram os organizadores do Sínodo de apoiarem um símbolo pagão, enquanto o Vaticano insistiu que a estátua é uma representação da vida e da fertilidade.

“Queremos lembrar a todos que as mulheres já estão trabalhando no ministério sacerdotal e diaconal em toda a região amazônica”, disse Duignan aos repórteres antes que um grupo de sete mulheres recitasse uma série de orações e se reunisse para cantar “Sister, Carry On”.

Segurando uma faixa dizendo “Mulheres empoderadas salvarão a Terra. Mulheres empoderadas salvarão a Igreja”, as mulheres vestiam roupas roxas e verdes brilhantes, observando que não são apenas as cores do movimento sufragista, mas o verde também foi escolhido para se solidarizar com o movimento de justiça ecológica, e o roxo é a cor tradicional do movimento pela ordenação de mulheres.

Enquanto o Papa Francisco convocou os bispos da região para levarem em consideração o modo como a Igreja pode responder de maneira mais eficaz às necessidades pastorais da Amazônia – onde, em algumas aldeias remotas, a falta de padres tem levado os católicos a receberem a Eucaristia apenas uma ou duas vezes por ano –, a proposta de ordenar viri probati, homens estabelecidos na comunidade, alguns dos quais são casados, dominou grande parte das manchetes.

As participantes do encontro dessa terça-feira disseram que querem que o papa não “pule diretamente para a organização de mais homens”, que, segundo elas, “suplantaria” as mulheres que já estão “fazendo o trabalho” do ministério pastoral na região.

“É uma questão de justiça urgente que o papel que as mulheres estão desempenhando seja reconhecido”, disse Duignan, acrescentando que elas gostariam que Francisco não apenas desse luz verde para a ordenação das mulheres ao diaconato – uma discussão à qual ele expressou abertura desde a criação de uma comissão para estudar o tema em 2016 –, mas também para a ordenação de mulheres ao sacerdócio, um debate que o papa havia dito anteriormente que a Igreja já fechou a porta.

No início deste ano, ele disse que a comissão não poderia chegar a uma conclusão e encorajou seus membros a continuarem estudando a questão.

As pessoas presentes nessa terça-feira argumentaram que as mulheres da região amazônica já estão cumprindo essa função e pediram que Francisco e os participantes do Sínodo reconheçam isso formalmente.

“Agora nós, como Igreja, devemos finalmente fazer justiça às mulheres e ordená-las”, disse Duignan, acrescentando que a Igreja deve parar de “brigar em torno de diferenças técnicas medievais e artificiais entre o que o rito sacramental pode e deve ser, e o que homens e mulheres podem e devem ser, e como eles são diferentes”.

“Eles não são diferentes quando se trata de permitir que as mulheres façam o trabalho”, disse ela.

O Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia está programado para se concluir no dia 27 de outubro, e espera-se que o documento final recomende alguma forma de ordenação para os padres casados e inclua alguma referência às diáconas.

Depois que os primeiros relatórios dos pequenos grupos do Sínodo foram divulgados, os vários grupos de trabalho pareciam estar divididos sobre a questão das diáconas na região, com um grupo considerando-a “necessária e urgente”, enquanto outros pediam mais estudos sobre o assunto.

“Comecem pela Amazônia”, concluiu Duignan. “Isso vai parar em outros lugares, mas tem que começar em algum lugar.”

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