Suicídio assistido da indústria brasileira

Foto: Mike Mozart | Flickr CC

Mais Lidos

  • “Dados indicam que a Amazônia se aproxima cada vez mais de um ponto de não retorno, principalmente como resultado da combinação entre o desmatamento acumulado no sistema, as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global e os vários fatores de degradação florestal”, afirma o pesquisador

    Capacidade de recuperação da Amazônia é limitada: centro do mundo encontra-se ameaçado por práticas predatórias e ilegais. Entrevista especial com Bernardo Flores

    LER MAIS
  • Em um discurso à nação, Trump reviveu o mito da fraude eleitoral de 2020 e exagerou a influência da China em sua derrota

    LER MAIS
  • "Se Trump perder as eleições de meio de mandato, ele invalidará a votação, arriscando um golpe”. Entrevista com Robert Kagan

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

11 Março 2019

Novos dados revelam: mesmo setores em que fomos excelentes dependem cada vez mais de importação. Homer Cado quer lucros fáceis. Para deixarmos de vender apenas pedra e grãos, serão necessárias políticas de Estado.

A reportagem é de Artur Araújo, publicada por Outras Palavras, 07-03-2019.

Aeronaves; cronômetros e relógios; equipamentos e instrumentos óticos; manutenção e reparação de veículos ferroviários; e aparelhos telefônicos são os cinco ramos da indústria brasileira que mais dependem de importação de insumos e componentes.

Estamos nos tornando aceleradamente um país em total dependência de outros para voar, medir o tempo, enxergar, usar trens e falar.

Nem mesmo cadeias produtivas em que temos excelência escapam: importamos estupidamente nos setores de defensivos agrícolas; adubos e fertilizantes; preparações farmacêuticas; medicamentos para uso humano; máquinas para terraplenagem; e metalurgia do cobre.

Reportagem publicada ontem (7/3) pelo Valor descreve o descalabro:

“Um total de 60 classes industriais importou, em 2016, pelo menos um terço dos insumos e componentes utilizados no seu processo produtivo. O grupo representa menos de um quarto do total de 258 classes industriais existentes no país, mas contempla 48 segmentos responsáveis por cerca de dois terços da produção industrial brasileira de alta e média-alta tecnologia.

O quadro não é pontual e resulta de um longo processo que acentuou a dependência tecnológica da indústria brasileira de insumos e componentes mais elaborados e sofisticados. No biênio 2003/2004, a parcela de insumos importados em relação ao total aplicado na produção brasileira era de 16,5%, fatia que aumentou para 24,4% dez anos depois. O avanço maior concentrou-se nos setores mais intensivos em tecnologia.”

O abandono de políticas industriais capitaneadas pelo Estado — que teriam foco estratégico na máxima internalização de todo o processo de geração de valor e não no curtoprazismo “espontâneo” e entreguista de Homer Cado — é suicídio assistido.

Mata a possibilidade de nos tornarmos um país de renda alta (mesmo tendo todas as condições para isso), com a assistência “humanitária” dos que nos fazem seus mercados industriais cativos e meros vendedores de pedra e grão.

Leia mais