Peru. Promotoria quer depoimentos de três ex-presidentes em caso Odebrecht

Imagem: Wikimedia Commons

Mais Lidos

  • ​Prevenção da violência, enfrentamento da criminalidade e recuperação de jovens em conflito com a lei dependem de políticas que ultrapassem o punitivismo penal, defende o advogado

    Redução da maioridade penal e a lógica punitivista: “A segurança pública não será alcançada apenas por meio do aumento da punição”. Entrevista especial com Alexander Rodrigues de Castro

    LER MAIS
  • Leão XIV proclama o segredo mais bem guardado da Igreja Católica em ‘Magnifica Humanitas’. Artigo de Thomas Reese

    LER MAIS
  • Horas antes do cisma ser finalizado, Pagliarani responde ao Papa: "Não somos cismáticos, somos o remédio de que a Igreja precisa"

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: João Flores da Cunha | 17 Janeiro 2017

A Procuradoria Anti-Corrupção do Peru solicitou no dia 10-01 que 75 pessoas prestem depoimento em um inquérito sobre a atuação no país da empreiteira brasileira Odebrecht. Os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016) estão entre os nomes que o órgão estatal quer ouvir para apurar o esquema de corrupção da Odebrecht no país.

As investigações são relativas a subornos pagos pela Odebrecht a funcionários do governo envolvidos em licitações de obras públicas. Graças a esses pagamentos, a empresa garantiria o direito de executar essas obras. O Ministério Público do país dispõe de uma lista com os nomes desses funcionários, mas esses não podem ser divulgados no atual estágio das investigações.

A Odebrecht reconheceu ter pago 29 milhões de dólares em propinas entre 2005 e 2014, o que envolve o período de governo dos ex-presidentes Toledo, García e Humala. As investigações, porém, recuam ainda mais no tempo: de acordo com informações preliminares, o esquema estaria em vigência desde os anos 1980. A Odebrecht começou a operar no país em 1979.

No dia 5-01, a promotoria peruana chegou a um acordo preliminar de reparação com a Odebrecht, que envolve compensação financeira por parte da empresa. No dia 13-01, o Ministério Público do país finalizou um acordo com a Procuradoria-Geral da República do Brasil para compartilhar informações sobre as ilegalidades cometidas pela empreiteira.

Investigadores peruanos têm realizado viagens frequentes ao Brasil e à Suíça para apurar informações. Como esse país mantém um acordo de confidencialidade com o Brasil nas investigações associadas à operação Lava-Jato, os documentos ainda estão em sigilo.

O atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, declarou que pode ingressar na Justiça com uma ação por perdas e danos contra a Odebrecht. O governo já decretou que a empreiteira ficará fora de futuras licitações com o Estado peruano, e efetivou uma alteração na lei de obras do país para garantir isso. A partir de agora, empresas envolvidas em ações de corrupção ficam impedidas de concorrer a licitações públicas.

O esquema de corrupção da Odebrecht é o principal tema da política peruana no momento. No dia 4-01, foi instalada no Congresso a comissão Lava-Jato, que irá investigar as obras da empreiteira no país.

Uma das principais é o Gasoduto Sul Peruano, que foi licitado durante o governo de Ollanta Humala e é executado por um consórcio em que a Odebrecht tem participação majoritária. A obra deve seguir em andamento, mas talvez fora do alcance da Odebrecht: esse é um dos ativos que a empreiteira pôs à venda em meio ao seu processo de reestruturação.

Leia mais: