Cardeal Kasper convida a uma Igreja “que estende a mão”, vivendo Mateus 25

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04 Abril 2016

O cardeal alemão Walter Kasper, teólogo destacado conhecido por ter influenciado a compreensão do Papa Francisco sobre a misericórdia divina, disse que a Igreja Católica em nível mundial deveria desenvolver uma nova espiritualidade, a de ter “olhos abertos” e um maior reconhecimento da presença de Deus em nossos irmãos e irmãs.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 01-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O cardeal também pediu por uma Igreja global, não do tipo “que aponta o dedo moral, mas do tipo que estende a mão”, dizendo que uma tal Igreja irá “irradiar um raio de luz e calor em nosso mundo”.

Em um discurso durante o Congresso Apostólico Mundial da Misericórdia em Roma nesta sexta-feira (01-04-2016), Kasper afirmou que muitos hoje perguntam como é possível falarmos de Deus ou de sua misericórdia quando “existem tanta miséria, tanta injustiça, tanto contratestemunho” no mundo.

“Jesus nos dá uma resposta surpreendente”, disse o cardeal lembrando as palavras de Jesus presentes no Evangelho de Mateus: “Tudo o que fizeram aos menores dos meus irmãos, foi a mim que o fizeram”.

“Estas palavras nos dão uma resposta”, acrescentou o cardeal. “A resposta é: Vocês podem me encontrar entre os pobres, doentes, refugiados, e em todos os meus irmãos e irmãs necessitados”.

Ao descrever como tantos místicos e santos decidiram se comunicar com Deus através do distanciamento do mundo, o cardeal falou que existe também uma forma diferente de misticismo espiritual.

“A espiritualidade de ter olhos abertos, que enxerga os irmãos e irmãs na miséria e reconhece neles Jesus; que redescobre que Deus não está tão distante”, disse ele. “Deus nos espera em nossos irmãos e irmãs”.

“Hoje, precisamos desta espiritualidade dos olhos abertos”, declarou Kasper. “Por meio de nossas obras de misericórdia, podemos dar testemunho ao mundo de que Deus vive (...) em nossos irmãos e irmãs, no próximo, em meio do mundo”.

Em seguida, o cardeal criticou a visão de Igreja “fechada em si mesma, uma Igreja somente para a elite que acredita na sobra sagrada e se distancia das assim-chamadas massas perdidas”.

Diferentemente, Kasper convidou para uma “Igreja de portas abertas, sobretudo uma Igreja pobre para os pobres, uma Igreja que segue em frente, uma Igreja missionária que sabe que não é possível falar de Deus, cujo nome é Misericórdia, sem viver a misericórdia”.

“Uma tal Igreja, não do tipo que aponta o dedo moral, mas do tipo que estende a mão, irá irradiar um raio de luz e calor em nosso mundo ”, disse ele..