Inclinação papal, uma invenção que abala as pretensões de supremacia

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • A Espiritualidade do Advento. Artigo de Alvim Aran

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

01 Dezembro 2014

A inclinação desse sábado, diante do Patriarca Bartolomeu, é a quarta inclinação de Francisco à espera de ser abençoado. Trata-se de gestos sem precedentes na história dos papas.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 30-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nos outros três casos, Bergoglio havia se inclinado diante das multidões. Nesse sábado, em vez disso, diante de um interlocutor ecumênico desafiador.

O movimento surpreendente do papa – que disse a Bartolomeu: "Peço-te um favor: que abençoes a mim e a Igreja de Roma" – criou embaraço no hóspede, que não ousou traçar um sinal da cruz sobre o bispo de Roma, ao qual ele reconhece um primado de honra, e o beijou na cabeça inclinada.

Esse beijo é uma invenção, assim como a inclinação: nem um nem o outro jamais marcaram presença nos rituais papais e patriarcais. A história das relações entre Roma e Constantinopla é rica de gestos de domínio, mas, nos últimos tempos, também conheceu gestos fraternos, começando pelo abraço entre Paulo VI e Atenágoras (1964) e pela retirada das excomunhões recíprocas (1965). O gesto desse sábado marca até uma inversão de qualquer pretensão de supremacia.

"Inclinai-vos para a bênção", diz um convite que é dirigido ao povo antes que o celebrante trace sobre ele o sinal da cruz: ao contrário, não existia na liturgia "romana", até o Papa Bergoglio, a inclinação do celebrante à espera de receber a "oração de bênção" do povo.

Francisco fez esse gesto na noite da eleição, diante da multidão da Praça de São Pedro, e depois o repetiu em maio de 2013, em uma paróquia romana. A terceira inclinação, diante de uma multidão, foi feita por ele no dia 1º de junho passado, no Estádio Olímpico de Roma, ajoelhando-se diante de uma assembleia ecumênica, ou seja, composta por católicos e protestantes.

"Recomendo a eloquência dos gestos", disse Bergoglio aos bispos italianos no dia 19 de maio deste ano. Ele tem um gênio dos gestos que, nesse sábado, produziu o fruto mais significativo no plano das relações com as Igrejas não católicas.