Inflação cósmica

Mais Lidos

  • Escravidão moderna, trabalhadores desprotegidos e precarização universalizada. Entrevista com Reginaldo Ghiraldelli

    LER MAIS
  • Médico defende cuidados paliativos no fim da vida e amenização total da dor em pacientes terminais. “O alívio deve ser na dor total: física, espiritual e emocional”, diz

    Cuidados paliativos: 86% das pessoas que precisam de auxílio no fim da vida são abandonadas. Entrevista especial com Angelo Atalla

    LER MAIS
  • A emergência de uma cultura livre na era da IA depende de restituir os comuns digitais que hoje vêm sendo capturados sem nenhuma contrapartida por parte das grandes plataformas digitais

    Desnaturalizar a IA é trazer à superfície sua estrutura fundada no trabalho comum. Entrevista especial com Leonardo Foletto

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

27 Março 2014

"Apesar do surpreendente avanço do conhecimento nas mais diversas áreas, poucas disciplinas podem se gabar de que são capazes de provar hipóteses da forma mais elegante possível(...)". O comentário é de Hélio Schwartsman, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 22-03-2014.

Eis o artigo.

Se a matemática é a rainha das ciências, a física é a princesa. Apesar do surpreendente avanço do conhecimento nas mais diversas áreas, poucas disciplinas podem se gabar de que são capazes de provar hipóteses da forma mais elegante possível, que é postular a existência de uma coisa e depois encontrá-la experimentalmente. Pois bem, no intervalo de um ano, a física conseguiu dois desses grandes feitos.

Em março do ano passado, o pessoal do Cern confirmou ter encontrado o bóson de Higgs, a partícula que confere massa a tudo o que existe, numa forte corroboração do Modelo Padrão, que explica a existência da matéria e da energia. Nesta semana, foi a vez de astrônomos anunciarem que detectaram ondas gravitacionais numa configuração tal que constitui evidência direta da inflação cósmica. Se isso for confirmado, estaremos menos longe de entender o surgimento do Cosmo.

A inflação é apenas a expansão ultrarrápida do Universo nas microfrações de instantes que se sucederam ao Big Bang. Sua escala, entretanto, está além de tudo o que se possa imaginar. De acordo com alguns modelos, no período que se estendeu de 10-35 (o número 0 seguido de vírgula, mais 34 zeros e o número 1) a 10-32 segundos após o Big Bang, o universo cresceu a um fator de 1050 (o número 1 seguido de 50 zeros).

A hipótese da inflação, popularizada pelo físico Alan Guth em 1979, é importante porque explica não só a inesperada uniformidade do Universo (ele é igual em qualquer canto para o qual apontemos nossos telescópios) como também resolve alguns mistérios em torno de sua geometria.

Igualmente auspicioso, como analisa o astrônomo Phil Plait, a conexão entre inflação (fenômeno quântico) e ondas gravitacionais (ligadas à relatividade) oferece uma janela para entender como a física quântica e a relativística interagem. Ambas fazem previsões muito precisas, mas não são compatíveis uma com a outra.