“A prioridade da pobreza nunca foi posta em questão”, afirma Adolfo Nicolás

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Por: André | 08 Mai 2013

O prepósito geral da Companhia de Jesus, Adolfo Nicolás, SJ, afirmou nesta segunda-feira que “a prioridade da pobreza nunca foi posta em questão” dentro desta ordem religiosa, à qual pertence o Papa Francisco.

A reportagem é de Religión Digital, 06-05-2013. A tradução é do Cepat.

Nicolás encontra-se em Valladolid na primeira etapa de uma visita à Espanha que vai até o próximo dia 11 de maio, e embora tenha preferido não fazer declarações à imprensa, a Companhia de Jesus distribuiu, através da sua página na internet, uma entrevista realizada nesta segunda-feira na qual analisa diversas questões sobre a atualidade da Igreja Católica.

Ao referir-se à falta de vocações, Nicolás inclinou-se por tomar esta conjuntura como um “desafio”: “temos que mudar a vida religiosa e eclesial para que as pessoas com coração possam responder e dizer, ‘é isto o que eu quero’”.

Adolfo Nicolás, nascido na localidade palentina de Villamuriel de Cerrato, em 1936, celebrou o fato de que os primeiros “sinais” do Papa Francisco estejam começando a dar respostas à pergunta de como a espiritualidade de Santo Inácio de Loyola influirá em um sumo pontífice.

“Há um desapego das coisas que se vê nas afirmações do Papa”, defendeu Nicolás, que compartilha duas das primeiras reflexões de Francisco: que o pastor – bispos e sacerdotes – deve cheirar como as ovelhas – fiéis – e que as autoridades eclesiásticas devem cuidar da liturgia sem apegar-se “às indumentárias”.

Neste sentido, Nicolás se perguntou “como vai poder viver” o Papa estes princípios “dentro de uma instituição com uma tradição tão longa e tão séria como é a Igreja”. “Isso é algo que os jesuítas temos muito interesse em ver porque é um homem muito bem preparado e profundamente familiarizado com a espiritualidade jesuíta”, acrescentou.

Em suas primeiras horas de visita, que o levará a Santiago de Compostela, La Coruña, Oviedo, Gijón, Madri e Alcalá de Henares, Nicolás reconheceu que a eleição do cardeal Bergoglio como sumo pontífice foi “uma surpresa” porque pensavam que um jesuíta “nunca” seria escolhido.

O padre geral da Companhia de Jesus assegurou que “nada mudou” para a ordem com a eleição de Bergoglio, que foi “escolhido pelos cardeais” e a quem oferecerão “a mesma intensidade de colaboração e obediência que aos papas anteriores”.

Nicolás destacou que a “capacidade de reflexão” deve ser mantida em todas as ordens da vida porque, caso contrário, o serviço aos homens “piorará” e não haverá possibilidade de erradicar problemas como “a injustiça e a violência”, que longe de se reduzirem mediante mudanças de sistema “parece que aumentaram”. “Se as pessoas não mudarem, por mais que mudem os sistemas, vamos continuar na mesma situação”, afirmou.

Com esta visita, que terminará no próximo dia 11 de maio em Alcalá de Henares, Nicolás termina seu percurso pelas cinco províncias jesuítas espanholas, que a partir de 2014 se integrarão em uma só província, a da Espanha, por “razões apostólicas”.

Atualmente, no mundo há 17.287 jesuítas, 1.239 dos quais se encontram na Espanha, e majoritariamente são sacerdotes (12.298), presentes em 110 países dos cinco continentes, segundo dados da Companhia de Jesus de 1º de janeiro de 2013.