Bento XVI. “O homem reduzido a capital humano da engrenagem financeira”

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Por: André | 05 Dezembro 2012

Proclama-se a dignidade da pessoa, mas as novas ideologias consideram o trabalhador independente e seu trabalho como bens menores, e minam os fundamentos naturais da sociedade, especialmente os da família. Por isso, o Papa indicou que o objetivo do trabalho para todos é uma prioridade, inclusive em tempos de recessão econômica. Estas foram as reflexões do Papa durante a audiência que concedeu aos participantes da assembleia plenária do Pontifício Conselho Justiça e Paz, cujo presidente é o cardeal Peter Turkson.

A reportagem está publicada no sítio Vatican Insider, 03-12-2012. A tradução é do Cepat.

“Embora a defesa dos direitos humanos tenha tido enormes progressos em nosso tempo – explica o Pontífice – a cultura contemporânea, caracterizada, entre outras coisas, pelo individualismo utilitarista e um economicismo tecnocrático, tende a menosprezar a pessoa. Esta é concebida como um ser fluido, sem consistência permanente”.

“Embora esteja imerso em uma rede infinita de relações e de comunicações, o homem de hoje, paradoxalmente, é, muitas vezes, um ser isolado, porque é indiferente à relação constitutiva de seu ser, que é a raiz das demais relações: a relação com Deus”, prosseguiu Bento XVI.

“O homem de hoje é considerado em chave predominantemente biológica ou como ‘capital humano’, ‘recurso’, parte de uma engrenagem produtiva e financeira que o ultrapassa – indicou o Pontífice. Se, por um lado, se segue proclamando a dignidade da pessoa, por outro, novas ideologias, como a hedonista e egoísta dos direitos sexuais e reprodutivos ou a de um capitalismo financeiro sem limites, que prevalece sobre a política e desconstrói a economia real, ajudam a considerar o empregado e seu trabalho como bens ‘menores’ e a socavar os fundamentos naturais da sociedade, especialmente a família”.

“A Igreja – disse o Papa – certamente não tem a missão de sugerir, do ponto de vista político e jurídico, a configuração concreta de um tal ordenamento internacional, mas oferece aos que têm esta responsabilidade aqueles princípios de reflexão, critérios de julgamento e orientações práticas que podem garantir o marco antropológico e ético em torno do bem comum”.