Nicarágua promete não enviar mais soldados para a Escola das Américas

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19 Setembro 2012

Atendendo ao apelo do fundador do Movimento contra a Escola das Américas, padre Roy Bourgeois, o presidente Daniel Ortega prometeu não mais enviar soldados nicaraguenses para esse centro de treinamento militar, hoje chamado de Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica Ocidental.

O apelo partiu do padre Bourgeois e da coordenadora do Observatório sobre esse centro de adestramento militar (Soaw, a sigla em inglês), Lisa Salivan.  O movimento contra a Escola existe desde 1990.

A informação é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 18-09-2012.

A Escola das Américas foi fundada pelo governo estadunidense em 1946 e instalada na República do Panamá. Hoje, ela funciona no Fort Benning, nos Estados Unidos. Estima-se que 4,5 mil militares nicaraguenses passaram pelos seus bancos de adestramento.

Nela foram treinados soldados da Guarda Nacional, de Somoza, que formaram, mais tarde, o núcleo principal dos Contra, nos anos 80. Bourgeois denunciou ao Congresso dos Estados Unidos que 14 dos 26 autores do massacre dos padres jesuítas mortos em El Salvador, em 1989, foram treinados pelo exército estadunidense na Escola das Américas.

Em seus 54 anos de existência, a Escola treinou mais de 60 mil militares latino-americanos em técnicas de tortura, comando e inteligência militar.

Ortega é o primeiro mandatário da América Central a fazer a promessa. Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina e Uruguai já não enviam mais militares para a Escola das Américas.