Lefebvrianos. O acordo com Roma não encontra consenso no interior da Fraternidade

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07 Novembro 2011

Nenhuma notícia da Fraternidade São Pio X, que deve dar uma resposta após ter recebido o Preâmbulo Doutrinal da Comissão Ecclesia Dei, em 14 de setembro passado; devem decidir se subscrevem o preâmbulo e, dessa forma, levar a cabo a profissão de fé prevista para todos os que assumirem um encargo eclesiástico.

A reportagem é de Andrea Tornielli e está publicada no sítio Vatican Insider, 02-11-2011. A tradução é do Cepat.

Mas informações começam a vazar sobre a reunião dos superiores da Fraternidade, que aconteceu em Albano Laziale (Roma) nos dias 7 e 8 de outubro. Uma delas é do superior dos lefebvrianos do Reino Unido, o Pe. Paul Morgan, em uma carta publicada no boletim para os fiéis na edição de novembro.

Morgan conta que durante a reunião em Albano foi exposta uma síntese dos encontros que as autoridades da Santa Sé tiveram com a Fraternidade desde 1987 até a presente data, além de um resumo das conversas doutrinais que aconteceram nos últimos meses. Além disso, houve "uma exposição oral do Preâmbulo Doutrinal". Praticamente – lendo o texto de Morgan –, D. Bernard Fellay, superior da Fraternidade São Pio X, não entregou o texto escrito que recebeu do Vaticano, mas se limitou a expô-lo, evidentemente para evitar vazamentos de informações.

O responsável dos lefebvrianos ingleses prossegue: "Quanto ao que diz respeito às conversas doutrinais, é desagradável notar como a Comissão romana não tenha reconhecido a fratura que existe entre os ensinamentos tradicionais e as conciliares. Em compensação, insistiu-se na hermenêutica da continuidade e se defendeu que os novos ensinamentos incluem e desenvolvem os velhos".

O que assombra é, na realidade, a surpresa de Morgan: a hermenêutica da continuidade na reforma, isto é, a inserção do Vaticano II na história dos concílios e sua interpretação à luz da tradição precedente, inclusive no desenvolvimento e na sua atualização, representa a chave proposta por Bento XVI. É difícil imaginar que os colaboradores mais próximos da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada e D. Guido Pozzo, ao falar com a Fraternidade São Pio X, lhe tenham feito uma proposta diferente.

Na carta do superior inglês pode-se ler: "Foi interessante saber que o encontro de 14 de setembro não teve nada a ver com os encontros doutrinais, mas que esteve dedicado à exploração de possíveis soluções práticas para a adequação canônica".

"Não surpreende saber – escreve Morgan – que a base doutrinal proposta para qualquer acordo canônico contenha elementos que a Fraternidade São Pio X sempre rechaçou, inclusive a aceitação da nova missa e do Vaticano II assim como está formulado no novo Catecismo. Além disso, o próprio documento dá a impressão de que não há nenhuma crise na Igreja...".

Um juízo negativo sobre o texto das autoridades vaticanas foi o resultado dos encontros doutrinais. O superior da Fraternidade do Reino Unido acrescenta que alguns participantes consideraram o Preâmbulo Doutrinal "claramente inaceitável e que não é o momento para buscar um acordo concreto, enquanto as questões doutrinais permanecerem suspensas. Também se decidiu que a Fraternidade São Pio X deve continuar seu trabalho e insistir nas questões doutrinais em eventuais contatos com as autoridades vaticanas".

Na quarta-feira passada, a Casa Geral da Fraternidade São Pio X divulgou um comunicado (que parece responder ao boletim do Pe. Morgan) no qual recorda que depois da reunião que os superiores tiveram em 7 de outubro em Albano, surgiram diferentes comentários na imprensa. Mas também recorda que "apenas a Casa Geral pode expressar um comunicado oficial ou um comentário autorizado sobre o assunto". Em outras palavras, o Morgan fala a título pessoal.

Contudo, não há dúvida de que esses comentários indiquem as dificuldades e críticas às quais D. Fellay está exposto neste momento. De acordo com algumas indiscrições, outros dois bispos lefebvrianos teriam expressado em Albano seu dissenso com relação ao Preâmbulo Doutrinal e o acordo proposto pela Santa Sé; trata-se de Tissier de Mallerais e Alfonso de Gallareta. O quarto, Richard Williamson, com posturas ainda menos flexíveis, não estava no encontro de Albano.