Os lefebvrianos insistem em permanecer "fiéis à missão deixada pelo arcebispo Marcel Lefebvre’

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09 Outubro 2011

Os superiores da cismática e tradicionalista Fraternidade São Pio X insistem em manter-se "fiéis à missão deixada pelo arcebispo Marcel Lefebvre", prelado francês já falecido que fundou esta confraria e que foi excomungado por João Paulo II em 1988.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 08-10-2011. A tradução é do Cepat.

Foi o que assinalaram em um comunicado, dado a conhecer neste sábado, após a reunião havida na sexta-feira, a portas fechadas, em sua sede de Albano Laziale, cidade da província de Roma, para debater o Preâmbulo Doutrinal entregue a eles pelo Vaticano no dia 14 de setembro passado com as condições para retornar ao seio da Igreja católica.

Participaram da reunião 28 superiores procedentes de várias partes do mundo, que manifestaram "uma profunda unidade para manter a fé em sua integridade e totalidade" e conforme o legado de Lefebvre.

O superior geral dos lefebvrianos, como são conhecidos os membros deste grupo ultracatólico, o bispo Bernard Fellay, foi o encarregado de apresentar o Preâmbulo Doutrinal, entregue a eles pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada, durante a reunião que mantiveram no Vaticano.

Os conteúdos desse preâmbulo são desconhecidos. O Vaticano se limitou a informar nesse dia que havia proposto "alguns elementos para uma solução canônica" que lhes permitisse alcançar "uma eventual e desejada reconciliação".

Segundo o Vaticano, o documento enuncia alguns princípios doutrinários e critérios de interpretação da doutrina católica "necessários para garantir a fidelidade ao magistério da Igreja".

Assim mesmo, abre "para o legítimo debate" o estudo e a explicação teológica de "pontuais expressões ou formulações presentes nos documentos do Concílio Vaticano II e do magistério posterior".

A Santa Sé considera como "base fundamental" para a obtenção da plena reconciliação a aceitação do Preâmbulo Doutrinal.

Após a reunião de Albano Laziale, a palavra passa – de acordo com o comunicado dos lefebvrianos – ao Conselho Geral da Fraternidade São Pio X, que dará a resposta que será apresentada ao Vaticano e "num prazo razoável".

Os lefebvrianos surgiram em 1969, quando Lefebvre (1905-1991) criou a Fraternidade São Pio X, associação tradicionalista que não aceita o Concílio Vaticano II, que considera uma "heresia", e as "destrutivas" reformas que dele nasceram, assim como defende resolutamente o rito pré-conciliar.

Este grupo produziu um cisma na Igreja católica em 1988, quando Lefebvre ordenou, sem permissão de João Paulo II, quatro bispos, entre eles Fellay.

Como demonstração de boa vontade para que voltem ao redil, Bento XVI liberalizou em 2007 a missa em latim e em 2009 levantou as quatro excomunhões.

Mas, um desses bispos, o britânico Richard Williamson, negou depois o Holocausto, colocando em pé de guerra a comunidade judaica internacional.

Os lefebvrianos contam com quatro bispos, cerca de 500 sacerdotes e mais de 200.000 fiéis distribuídos por todo o mundo, especialmente na Suíça, França, Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Chile e Colômbia.

Segundo fontes vaticanas, aspiram a obter dentro da Santa Sé um status de prelazia pessoal, a exemplo do que tem a Opus Dei.