Pedofilia: Papa se encontra com as vítimas

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25 Setembro 2011

Abalado, comovido, próximo das vítimas. Mais uma vez – exatamente a quinta depois de Malta, Austrália, Estados Unidos e Grã-BretanhaBento XVI quis se encontrar, ao longo das suas viagens ao exterior, com um grupo de abusados pela pedofilia. Ele o fez novamente ontem à noite, em meio à sua visita oficial à Alemanha, onde o problema dos crimes sexuais na Igreja assumiu uma dimensão embaraçosa ao longo dos anos.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 24-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O papa, assim, falou por 30 minutos com cinco vítimas (duas mulheres e três homens) dos abusos cometidos por sacerdotes e empregados da Igreja no Seminário de Erfurt, no território da ex-Alemanha Oriental. Depois, saudou alguns voluntários que cuidam das pessoas atingidas por esses crimes.

Eles tinham vindo para Erfurt de toda a Alemanha. "Comovido e fortemente abalado pelo sofrimento das vítimas", como foi observado por um comunicado da Santa Sé, o pontífice expressou "a sua profunda compaixão e o seu profundo pesar por tudo o que foi cometido contra elas e suas famílias".

O dia de Joseph Ratzinger havia se desenrolado sob a marca do diálogo ecumênico. E na terra onde Martinho Lutero estudou e se tornou padre, Bento XVI reavaliou plenamente o pensamento do autor da Reforma. Elogiou a tal ponto o grande reformador que, no final, o próprio líder dos protestantes alemães, o pastor Nikolaus Schneider, comentou: "De fato, o papa reabilitou Lutero".

Na catedral onde o monge agostiniano foi ordenado em 1507, o pontífice alemão sublinhou que "o que não lhe dava paz era a questão de Deus, que foi a paixão profunda e o impulso da sua vida e de todo o seu caminho".

Com os protestantes, no entanto, algumas divergências permanecem. E quando Schneider afirmou que "seria uma bênção" tornar possível a comunhão eucarística comum aos "fiéis que vivem laços matrimoniais ou familiares em que se encontram unidas confissões diferentes", o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, respondeu que, "antes, há temas mais teológicos para resolver, começando pelas questões éticas sobre a vida".

Foi imediata a tréplica de Schneider: "As questões teológicas são importantes, mas a vida concreta dos fiéis pode ser uma verdadeira categoria teológica não menos importante".