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15 Mai 2011

Apesar do grande sucesso da beatificação de João Paulo II, no Vaticano não faltam dificuldades, e são graves, de muitos pontos de vista. Em primeiro plano, o mundo árabe, em pleno levantamento e em grande vigor, substancialmente antirromano, como toda a costa norte-africana está demonstrando dia após dia.

A análise é de Filippo Gentiloni, publicada no jornal Il Manifesto, 15-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Roma responde com gestos de cortesia em nada não ignorados. A situação não é melhor se forem observados os cristianismos não católicos. São graves as dificuldades e bastante inúteis os gesto romanos de cortesia, como aquele, muito discutido e contestado, com os anglicanos que se reaproximaram de Roma, mas em nome da persistência do machismo, enquanto a maioria dos anglicanos se abria ao sacerdócio feminino. Um sucesso romano muito discutível.

Não é boa nem a situação no interior do catolicismo: aqui, não se pode negar uma certa exfoliação, devido principalmente aos meios de comunicação que, na prática, absorvem a comunicação e se substituem à pregação. O anúncio não é mais como era antes. Agora, são milhares as vozes e grande é a dispersão e também a confusão. Roma não consegue controlar e monopolizar.

São muitas as vozes que fogem do controle. Testemunho disso é, dentre outros, a nova editora Campo dei Fiori, que está publicando obras importantes de autores católicos não alinhados com Roma e de grande sucesso (por exemplo, In principio era la gioia [No início era a alegria], de Matthew Fox, e Senza Budda non potrei essere cristiano [Sem Buda, eu não poderia ser cristão], de Paul Knitter).

Nesse mundo nada homogêneo, como os líderes católicos reagem? É difícil responder, mas pode-se constatar, isso sim, uma notável tendência a um cristianismo entendido sempre mais como religião civil e sempre menos como revelação de uma religião de origem divina. Desaparece tudo o que se refere ao além e se afirma sempre mais, ao invés, um cristianismo que tende para a ética e, portanto, para facilitar os governos e as suas necessidades.

Tem-se a impressão de que essa é precisamente a mensagem cristã, uma mensagem moral quase exclusivamente humana. Parece que a própria autoridade eclesiástica católica não quer ou não pode combater essa tendência difundida.