Prevenção de desastres requer equipamentos e ação da comunidade, diz Nobre

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03 Fevereiro 2011

O pesquisador Carlos Nobre acredita que a criação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais pelo governo federal vai exigir a compra de mais de dez radares meteorológicos e mil pluviômetros automáticos.

A reportagem é do sítio Sociedade Sustentável, 03-02-2011.

Os equipamentos serão usados na previsão e monitoramento de chuvas. O cientista acaba de ser empossado na Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Hoje, o País tem cerca de 20 radares meteorológicos e 800 pluviômetros automáticos. Os radares captam dados sobre o movimento de circulação da massa de ar e de gotículas de água. Os dados são processados em supercomputadores para prever a localização e intensidade das chuvas. Já o pluviômetro mede o volume da chuva que caiu. O monitoramento desse dado pode informar se o solo de uma região, como o das encostas de morros, recebeu muita água e pode ter risco de deslizamento.

Nobre ressalta que as comunidades precisam "saber ler" os pluviômetros que serão instalados para avaliar risco de enchentes e de encharcamento de solos. "Isso não é igual terremoto, dá alerta", explica. O pesquisador alerta que, além da compra dos equipamentos, será preciso usar sensores de solo e fazer estudos geológicos para conhecer melhor as áreas de risco, especialmente as das Regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Nos últimos 20 anos, 216 cidades registram anualmente pelo menos cinco mortes por causa de chuva e mais de 500 tiveram perdas materiais.

A compra de equipamentos para monitoramento das chuvas e a implementação do sistema envolve o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Integração Nacional, o Ministério da Defesa, o Ministério da Agricultura, o Ministério do Planejamento, o Gabinete de Segurança Institucional e a Casa Civil. Ainda não há orçamento estabelecido para esses gastos.