Países latino-americanos aprovam estratégia regional para alcançar igualdade de gênero até 2030

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Novembro 2016

Acordo para alcançar igualdade de gênero até 2030 nos países latino-americanos e caribenhos foi resultado da 13ª Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, organizada esta semana no Uruguai pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), e da qual o Brasil participou como membro da mesa diretora.

A reportagem foi publicada por ONU Brasil, 01-11-2016.

Delegados de 38 Estados-membros e associados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) aprovaram na sexta-feira (28), no encerramento da 13ª Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe realizada esta semana no Uruguai, a Estratégia de Montevidéu para alcançar a igualdade de gênero na região até 2030.

A estratégia envolve dez eixos para a implementação da agenda regional de gênero com um total de 74 medidas. A agenda inclui todos os compromissos assumidos pelos governos latino-americanos e caribenhos em relação a direitos e autonomia das mulheres e igualdade de gênero, desde a primeira Conferência Regional realizada em 1977 até hoje.

Os dez eixos de implementação da estratégia aprovada são: igualdade e Estado de direito; institucionalidade, políticas multidimensionais e integrais de igualdade de gênero; participação popular e cidadania, democratização da política e das sociedades; construção e fortalecimento de capacidades estatais, gestão pública baseada na igualdade e na não discriminação; e financiamento, mobilização de recursos suficientes e sustentáveis para a igualdade de gênero.

A esses objetivos se somam comunicação, acesso à informação e mudança cultural; tecnologia, para o governo eletrônico e economias inovadoras e inclusivas; cooperação, para uma governança multilateral democrática; sistemas de informação, transformar dados em informação, informação em conhecimento e conhecimento em decisão política; e monitoramento, avaliação e prestação de contas, garantia de direitos e transparência.

Na resolução, indica-se que esses eixos estão inter-relacionados e aplicação contribuirá para o estabelecimento e a sustentabilidade das políticas setoriais e transversais orientadas em eliminar as desigualdades de gênero e garantir o desfrute efetivo dos direitos humanos por todas as mulheres. Estão, também, em sintonia com os meios de implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, aprovada pela comunidade internacional em setembro de 2015.

A Estratégia de Montevidéu é um acordo regional que os Estados-membros da CEPAL adaptarão às suas prioridades, a seus planos de igualdade de gênero e de direitos, assim como a seus planos de desenvolvimento sustentável, políticas e orçamentos nacionais.

“Para atingir a igualdade de gênero é preciso superar nós estruturais constitutivos das atuais relações desiguais de poder na América Latina e no Caribe”, disse o documento assinado pelos países reunidos no Uruguai.

Entre os nós estruturais está a desigualdade socioeconômica e a persistência da pobreza; os padrões culturais patriarcais discriminatórios e violentos e o predomínio da cultura do privilégio; a divisão sexual do trabalho e a injusta organização social do cuidado; e a concentração do poder e das relações de hierarquia no âmbito público.

“Esses nós se reforçam mutuamente e geram complexos sistemas socioeconômicos, culturais e de crenças que criam obstáculos e reduzem o alcance das políticas para a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres”, disse o documento. “A Estratégia de Montevidéu busca desatar esses nós estruturais e, assim, avançar para uma igualdade substancial”, afirmou.

A mesa diretora da Conferência Regional sobre a Mulher foi composta por Uruguai na presidência, além de Argentina, Antígua e Barbuda, Brasil, Chile, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Honduras, Jamaica, México, Panamá, Porto Rico, República Dominicana, São Cristóvão e Nevis, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia e Suriname. Os países também estabeleceram que a própria conferência ocorrerá em Santiago do Chile em 2019.

Participaram da reunião em Montevidéu representantes de 36 Estados-membros e membros associados da CEPAL, delegados de 12 agências das Nações Unidas e 15 organismos intergovernamentais, além de membros de 162 organizações da sociedade civil, acadêmicos e convidados especiais.

Leia mais