25 Junho 2026
Com investimento em consultórios móveis e alcance em 400 cidades, a iniciativa garantirá atendimento humanizado pelo SUS.
A informação é de Kaique Dalapola, publicada por Brasil de Fato, 26-06-2026.
O governo federal realizou nesta quarta-feira (24), na capital paulista, o lançamento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (PNAIS Rua), que estabelece diretrizes para garantir atendimento contínuo e integral a esse público.
O anúnciocorreu na Casa de Oração do Povo da Rua, na região da Luz, no centro de São Paulo, espaço historicamente coordenado pelo padre Júlio Lancellotti.
Antes do início da solenidade, o religioso levou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para conhecer as instalações da casa, incluindo a padaria que produz diariamente pães para a população vulnerável da região.
“Esta casa foi construída pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e foi construída com os recursos que ele recebeu dos budistas”, relembrou o padre Júlio Lancellotti durante a apresentação.
A nova diretriz estabelece parâmetros para garantir o atendimento contínuo, integral e humanizado às pessoas que vivem em situação de rua no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Como parte da estratégia de implementação da política, o governo federal anunciou o repasse de veículos adaptados a 400 municípios, com o objetivo de romper barreiras geográficas e levar as equipes de saúde diretamente aos territórios de maior vulnerabilidade.
Matheus Santos, representante da Casa de Oração, celebrou a iniciativa, mas ressaltou a urgência do atendimento na ponta: “A realidade da rua é complexa, a rua tem pressa e hoje a gente enfrenta um limbo institucional doloroso aqui na nossa cidade.” Ele defendeu ainda que pensar a saúde de quem está na rua não pode ser uma ação isolada, exigindo articulação direta com a assistência e a moradia.
A medida integra um pacote de investimentos somando diversas frentes, sendo que apenas o Ministério da Saúde destinou R$ 144 milhões para a compra dos veículos adaptados, além de R$ 85 milhões anuais para manutenção e R$ 30 milhões para expansão da rede. O montante global inclui ainda R$ 46 milhões do Ministério da Justiça e Segurança Pública para assistência jurídica e redução de danos.
Para o deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), a ação é um marco que devolve o respeito aos profissionais e pacientes. Ele ilustrou o impacto das unidades móveis ao relembrar o depoimento de trabalhadoras do SUS: “Antes a gente estava colhendo sangue na calçada sem nenhuma relação de dignidade. E hoje a gente tem um consultório.” O evento contou ainda com a presença de outras autoridades, como o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT).
A secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, ressaltou que a criação da nova política é fruto de um longo processo de escuta. “A gente consegue, com muita maturidade, agora em 2026, ter a consolidação pactuada com movimentos sociais, pactuada com o Conselho Nacional de Saúde, pactuada com secretarias de estado e municipais de saúde”, celebrou. O avanço na cobertura do programa Consultório na Rua, que saltou de 173 para 335 equipes, foi destacado como um pilar da gestão.
Em seu discurso, o ministro Alexandre Padilha detalhou a função das novas unidades entregues: “É toda uma estrutura de uma unidade básica de saúde adaptada para estar na rua, levando os profissionais até onde as pessoas estejam”.
Padilha enfatizou que os veículos possibilitarão a realização de consultas, exames ginecológicos, coleta de sangue, testes rápidos e curativos no próprio território, garantindo que o SUS chegue a quem mais precisa.
Após o encerramento do ato formal, que contou com espaço de fala e escuta de lideranças e movimentos sociais locais, foi realizado um momento de convivência entre os presentes. Na sequência, a equipe do Ministério da Saúde e os frequentadores do espaço permaneceram na Casa de Oração para acompanhar a partida da Seleção Brasileira contra a Escócia, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.
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