Pesquisadora discute sobre a disputa de sexo e gênero no ciclo de estudos Gênero, Religião, Política. Mobilização de crenças e afetos realizado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU nesta terça-feira, 12-05-2026, às 10h
As disputas de sexo e gênero se tornaram um dos temas centrais nos debates feministas e antifeministas na atualidade, revelando tensões sobre direitos, identidade, corpo, valorização da mulher e poder. De um lado, movimentos feministas defendem que compreender gênero como construção social é essencial para enfrentas desigualdades históricas impostas às mulheres e ampliar a inclusão de pessoas trans e dissidentes de gênero. Em contrapartida, há antifeministas e feministas antigênero argumentando que a categoria sexo biológica não pode ser apagada em discussões sobre violência, saúde e políticas públicas.
O embate entre esses movimentos ultrapassa o campo teórico e impacta diretamente legislações, escolas, universidades, diversos espaços públicos e de mobilização social. Questões como participação esportiva, acesso a espaços antes masculinizados, linguagem inclusiva e reconhecimento jurídico de identidade de gênero passaram a ocupar o centro das disputas políticas em diversos países, frequentemente instrumentalizadas por grupos conservadores para atacar agendas de direitos humanos.
O desafio agora está em construir caminhos que enfrentem simultaneamente todas as violências de gênero, como a misoginia e a discriminação contra pessoas trans, sem simplificação ou falsas oposições. Esse debate exige uma compreensão conceitual, para que haja uma escuta democrática e um compromisso com a dignidade humana diante de uma crescente polarização social.
Na próxima terça-feira, 12-05-2026, a filósofa Mariela Solana participa do ciclo de estudos “Gênero, Religião, Política. Mobilização de crenças e afetos nas agendas antigênero da direita cristã”, debatendo sobre as disputas feministas e antifeministas no cenário contemporâneo, em uma palestra pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. A videoconferência será realizada às 10h.
Em um artigo publicado pelo Nueva Sociedad, Mariela relata questões de sexo e gênero afirmando que “nas redes sociais conservadoras, há uma hashtag que resume essa rejeição à (mal)nomeada "ideologia de gênero": #SexoNãoÉGênero. Essa hashtag sugere que, além da identificação, dos sentimentos e dos pronomes escolhidos, há uma verdade subjacente irrefutável: existem apenas dois sexos, e é o sexo que define homens e mulheres. Sexo se refere a um conjunto de elementos corporais: cromossomos, gônadas, hormônios, gametas, genitais”.
Essa ideologia conservadora tem circulado inclusive em movimentos de feminismo antigênero que de acordo com a especialista “reconhecem que sexo é diferente de gênero, mas — e esta é uma distinção importante — eles localizam o que constitui ser masculino ou feminino exclusivamente no sexo. Além disso, esse sexo é considerado um dado bruto, sinônimo de variáveis objetivas e reais — uma diferença importante em relação aos feminismos que o consideram uma construção, seja social ou natural-cultural".
Nesse contexto, as relações entre os discursos são comparadas pela professora, em uma análise completa das diferentes visões de mundo nos espaços de extremo conservadorismo que rejeita qualquer ideia feminista e em discursos mais amplos que dialogam com direitos sociais, mas que ao mesmo tempo questionam sobre gênero em meio a biologia.
O enfraquecimento do vínculo entre "mulher" e "biologia" não significa que as mulheres foram "erradicadas", como temem as feministas antigênero. Em vez disso, é um índice da contingência e da multiplicidade semântica que esse significante implica, diz.
O quê: "Sexo e gênero nas disputas feministas e antifeministas contemporâneas"
Quando: 12-05-2026, às 10h.
Quem: Mariela é doutora em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires (UBA), pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) da Argentina e professora da Universidade Nacional Arturo Jauretche (UNAJ), onde também é diretora do Programa de Estudos de Gênero. Ela pesquisa epistemologia feminista, estudos feministas de ciência e tecnologia, novos materialismos feministas e a virada afetiva.
Onde assistir: www.ihu.unisinos | YouTube do IHU | Facebook do IHU
Inscrição: https://www.ihu.unisinos.br/evento/ihu-ideias