COP30 no Brasil. E eu com isso? Artigo de Marina Helou e Natalie Unterstell

Foto: Alexander Gerst | Flirck

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05 Setembro 2025

"COPs nunca são decididas só em salas fechadas. São decididas no barulho de fora. Quando a sociedade entende que clima é comida, roupa, casa, café e até sobremesa, governos se mexem" escrevem Marina Helou, deputada Estadual pela Rede Sustentabilidade (SP), formada em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), com especialização em negócios e sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral / Cambridge University, e Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, em artigo publicado por ((o))eco, 04-09-2025.

Eis o artigo.

Quando se fala em “COP30”, parece que o debate está distante, cheio de siglas e chefes de Estado reunidos em Belém do Pará. Mas o que vai estar em jogo em novembro de 2025 toca direto na sua roupa, na sua comida, no seu café da manhã e até no lugar em que você vai morar o resto da sua vida.

O aquecimento global não é só gráfico em relatório: ele bate na pele. Significa precisar usar roupas mais leves e até pensar em tecidos que ajudem a refletir o calor, como o linho, para não derreter nas cidades. Significa que aquele café de todo dia pode virar luxo permanente, com safras cada vez mais instáveis. Que o chocolate, prazer aparentemente intocável, pode sumir das prateleiras porque o cacau não resiste a extremos climáticos. Que o almoço vai custar mais porque o arroz ou o feijão foram perdidos em enchentes.

E não adianta achar que existe porto seguro. As enchentes já devastam o Sul, as ondas de calor derretem o Sudeste, a estiagem castiga o Norte. Não há bairro blindado, não há país a salvo.

A escolha de Belém como sede não é por sua paisagem exótica, mas por uma decisão política. Coloca a Amazônia, e quem vive nela, no centro da mesa de negociações. Ali se decide não só sobre árvores, mas sobre dignidade humana em um planeta habitável.

O que pode sair de lá? Continuar a transição para bem longe dos combustíveis fósseis, reforçar a proteção de florestas, financiamento para adaptação. Promessas de bilhões que até agora não se cumprem. Em Baku, na COP29, fixaram em US$ 300 bilhões anuais para os países mais vulneráveis. Enquanto isso, o gasto militar global subiu a US$ 2,4 trilhões. O mundo tem bala para tanques, mas não para diques contra enchentes.

Eis o paradoxo: se Belém repetir a história das promessas vazias, perdemos tempo. Mas o Brasil, como anfitrião, pode articular soluções reais, regionais, transparentes, como o novo Fundo de Florestas Tropicais. Podemos colocar bioeconomia e inovação no centro.

E lembre-se: COPs nunca são decididas só em salas fechadas. São decididas no barulho de fora. Quando a sociedade entende que clima é comida, roupa, casa, café e até sobremesa, governos se mexem. É por isso que veremos em Belém jovens, mulheres, povos indígenas, moradores de periferias e também pessoas política nacional ocupando espaço, exigindo ação. Eles sabem que o futuro não está “em discussão”: ele já começou.

No fim, COP é sobre coragem. Coragem de enfrentar a crise e não cair no “fim-do-mundismo” que vende como pragmatismo a ideia de desistir. Cada décimo de grau que não aquecermos é menos tragédia, mais vida. A COP30 é no Brasil. É na Amazônia. É sobre clima, sim. Mas é, acima de tudo, sobre você. Sua roupa, sua comida, seu café, o lugar onde vai morar. Por isso, à pergunta “COP30 no Brasil. E eu com isso?”, a resposta não poderia ser mais direta: tudo.

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