Francisco: sem a presença do Espírito, a Igreja não cresce e não pode pregar

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Agosto 2024

Após a tradicional suspensão durante o mês de julho pelas chamadas "férias do Papa", foram retomadas na manhã de ontem as catequeses das quartas-feiras proferidas pelo Pontífice. O encontro foi realizado na Sala Paulo VI e não na Praça São Pedro, também devido às altas temperaturas destas últimas semanas. O Papa retomou o ciclo de catequeses "O Espírito e a Esposa. O Espírito Santo guia o povo de Deus em direção a Jesus, nossa esperança" e centrou sua meditação no tema "Encarnado por obra do Espírito Santo pela Virgem Maria. Como conceber e dar à luz Jesus".

O texto da catequese do papa Francisco é publicado por Avvenire, 08-08-2024. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o texto. 

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Com a catequese de hoje, entramos na segunda fase da história da salvação. Depois de termos contemplado o Espírito Santo na obra da Criação, nós o contemplaremos por algumas semanas na obra da Redenção, ou seja, de Jesus Cristo. Vamos passar, então, para o Novo Testamento e ver o Espírito Santo no Novo Testamento.

O tema de hoje é o Espírito Santo na Encarnação da Palavra. No Evangelho de Lucas, lemos: "Descerá sobre ti o Espírito Santo" - Maria - "a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (1,35). O evangelista Mateus confirma esse dado fundamental sobre Maria e o Espírito Santo, dizendo que Maria "achou-se grávida do Espírito Santo" (1,18).

A Igreja aceitou esse fato revelado e o colocou de imediato no coração de seu Símbolo de Fé. No Concílio Ecumênico de Constantinopla em 381 - aquele que definiu a divindade do Espírito Santo - esse artigo tornou-se parte da fórmula do "Credo", que se chama precisamente Credo Niceno-constantinopolitano e é o que rezamos em todas as missas. Ele afirma que o Filho de Deus "por obra do Espírito Santo se encarnou no ventre da Virgem Maria e se fez homem". Portanto, trata-se de um fato de fé ecumênico, porque todos os cristãos professam juntos esse mesmo Símbolo de fé. A piedade católica, desde tempos imemoriais, hauriu dele uma de suas orações cotidianas, o Angelus.

Esse artigo de fé é o fundamento que nos permite falar de Maria como a Esposa por excelência, que é figura da Igreja. De fato, Jesus", escreve São Leão Magno, "assim como nasceu por obra do Espírito Santo de uma mãe virgem, assim torna fecunda a Igreja, sua Esposa imaculada, com o sopro vital do próprio Espírito". Esse paralelismo é retomado na Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, que diz:

"Por sua fé e obediência, Maria gerou na terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo [...] Ora, a Igreja que contempla a sua santidade misteriosa e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, toma-se também, ela própria, mãe, pela fiel recepção da palavra de Deus: efetivamente, pela pregação e pelo Batismo, gera, para vida nova e imortal, os filhos concebidos por ação do Espírito Santo e nascidos de Deus." (n. 63, 64).

Concluímos com uma reflexão prática para as nossas vidas, sugerida pela insistência das Escrituras nos verbos "conceber" e "dar à luz". Na profecia de Isaías, ouvimos: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho" (7,14); e o Anjo diz a Maria: "Conceberás e darás à luz a um filho" (Lc 1,31). Maria primeiro concebeu e depois deu à luz Jesus: primeiro ela o acolheu em si, em seu coração e em sua carne, e depois o deu à luz.

O mesmo acontece com a Igreja: primeiro acolhe a Palavra de Deus, deixa-a "falar ao seu coração" (cf. Os 2,16) e "enche suas entranhas" (cf. Ez 3,3), segundo duas expressões bíblicas, para depois lhe dar à luz com a vida e a pregação. A segunda operação é estéril sem a primeira. A Maria, que perguntava: "Como acontecerá isso, pois não conheço homem algum?", o anjo respondeu: "O Espírito Santo descerá sobre ti" (Lc 1,34-35). A Igreja também, quando se depara com tarefas que vão além de suas forças, faz espontaneamente a mesma pergunta: "Como isso é possível?". Como é possível anunciar Jesus Cristo e sua salvação a um mundo que parece buscar apenas o bem-estar neste mundo? A resposta também é a mesma de então: "Receberão poder quando o Espírito Santo [...] e serão minhas testemunhas" (Atos 1,8). Assim disse Jesus ressuscitado aos Apóstolos, quase com as mesmas palavras dirigidas a Maria na Anunciação. Sem o Espírito Santo, a Igreja não pode seguir em frente, a Igreja não cresce, a Igreja não pode pregar.

O que se fala sobre a Igreja em geral também se aplica a nós, aplica-se a cada batizado. Cada um de nós às vezes se encontra, na vida, em situações que estão além das próprias forças e se pergunta: "Como posso lidar com essa situação?". Nesses casos, ajuda lembrar repetir para si mesmo o que o anjo disse à Virgem antes de se despedir dela: "Para Deus nada é impossível" (Lc 1,37). Irmãos e irmãs, então, também nós, a cada oportunidade, retomemos a nossa jornada com essa certeza reconfortante em nosso coração: "Nada é impossível para Deus". E se acreditarmos nisso, faremos milagres. Nada é impossível para Deus.

Leia mais