Mudança climática tornou tempestade mortal na Líbia 50 vezes mais provável

A enchente devastou partes da cidade de Darna. (Foto: Abdulsalam Alturki | Unicef)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

23 Setembro 2023

Tempestades como a que causou destruição e mortes na Líbia se tornaram até 50 vezes mais prováveis por causa da mudança do clima, concluiu estudo.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 22-09-2023.

Uma análise de atribuição divulgada nesta semana pela World Weather Attribution (WWA) concluiu que a forte tempestade que atingiu a Líbia e outros países do Mediterrâneo no começo de setembro se tornou até 50 vezes mais provável por causa do aquecimento global causado pelos seres humanos.

A passagem da tempestade tropical Daniel no norte da Líbia deixou mais de 10 mil mortos, com mais de 10 mil pessoas ainda desaparecidas. Além da Líbia, a tempestade Daniel também causou destruição e mortes em outros países da bacia do Mediterrâneo, como Grécia e Espanha, além da Bulgária.

De acordo com a análise, a precipitação extrema no período de 24 horas no norte do continente africano se tornou até 50 vezes mais provável de acontecer e até 50% mais intensa em um mundo 1,2ºC mais quente em relação aos níveis pré-industriais.

O estudo destacou a magnitude das chuvas no litoral líbio. Na cidade de Derna, que concentrou a maior parte da destruição, a precipitação acumulada foi de 250 milímetros em um período de poucas horas, e cerca de 414 mm em Bayda e 240 mm em Marawah. Os ventos de até 80 km/h também chamaram a atenção.

Mais do que a tempestade, o desastre na Líbia teve como catalisador a situação política dramática que vive há mais de uma década, mergulhado em uma guerra civil que dividiu o país em dois governos. O estudo ressalta que a fragilidade do estado líbio agravou os efeitos da tempestade, contribuindo para a falta de manutenção e deterioração da infraestrutura de barragens. Além disso, muitas dessas estruturas foram construídas na década de 1970 utilizando registros de precipitação relativamente curtos, que se mostraram incapazes de suportar a magnitude da tempestade Daniel.

“Esta catástrofe aponta para a necessidade de se conceber e manter infraestruturas não apenas para o clima do presente ou do passado mas também para o futuro. Na Líbia, isto significa ter em conta o declínio em longo prazo da precipitação média e, ao mesmo tempo, o aumento das precipitações extremas como este evento de chuvas fortes”, destacaram os autores.

A conclusão do WWA sobre as chuvas na Líbia foram abordadas por veículos como AFP, Associated Press, BBC, Bloomberg, CNN, Deutsche Welle, Folha, New Scientist, Reuters e Wall Street Journal.

Leia mais