O ‘Brasil profundo’ está cada vez mais distante da esquerda e é atraído pelo bolsonarismo

Manifestação contra Bolsonaro | Foto: Nati Melnychuck / unsplash

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Outubro 2022

 

O desempenho acima do esperado no primeiro turno da eleição de 2022 do presidente Jair Bolsonaro na campanha de reeleição e de vários candidatos do bolsonarismo para o Congresso demonstrou ressonância do pensamento conservador em camadas bem distintas da sociedade.

 

A reportagem é de Shin Suzuki, publicada por BBC Brasil, 04-10-2022.



Bolsonaro, candidato do PL, obteve 43,2% dos votos válidos ou 51 milhões de votos, um resultado que foi significativamente acima do estimado por pesquisas de opinião durante a corrida eleitoral.

 

Apesar de denúncias de corrupção, de números ruins na economia e de uma criticada gestão da pandemia, o atual presidente mostrou resiliência política e eleitoral e vai agora para o segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Os pesquisadores Fabio Baldaia e Tiago Medeiros Araújo, do Instituto Federal da Bahia, desenvolvem — ao lado dos também pesquisadores Sinval Silva de Araújo e Rodrigo Ornelas — estudos sobre como os valores do pensamento bolsonarista se enraizaram com bastante apelo em amplos setores do país.

 

Eles afirmam que o bolsonarismo têm conseguido dialogar com novas camadas populares — de evangélicos a trabalhadores de aplicativos — e com o "Brasil profundo" do interior do país com uma eficiência maior do que a esquerda em sua mensagem.

 

"A hipótese que a gente trabalha é de que existem elementos de longa duração na forma de ser brasileira que explicam a ascensão e a resiliência política de Bolsonaro mesmo após a pandemia e uma gestão não exitosa da economia nesse período. Eu não diria que há uma essência conservadora no brasileiro, mas sim elementos daquilo que a gente chama de "Brasil profundo" que podem ser traduzidos como uma ideia de conservadorismo", afirma Fábio Baldaia.

 

Segundo ele, "são elementos relacionados à manutenção da ordem, à família, a uma certa visão da segurança pública que ainda estão no Brasil com bastante força, por isso a ida de Bolsonaro para o segundo turno e a eleição de muitas figuras apoiadas por ele para o Congresso".

 

Por sua vez, Tiago Medeiros Araújo discute a hipótese de que "a esquerda mundial, não só no Brasil, mas no Ocidente, ainda está presa a conceitos do Maio de 1968 na França. Foi quando o conservadorismo ficou associado a estruturas fixas e dominantes da sociedade ocidental, que deveriam ser combatidas por seu conteúdo e sua simbologia, e a família era um desses núcleos".

 

 

Leia mais