Pesquisa constata que a pandemia de covid-19 deixou um terço dos jovens sentindo que a vida está fora de controle

Foto: Camila Quintero Franco | Unsplash

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04 Outubro 2022

 

Os pesquisadores também descobriram que mais de 60% dos jovens de 16 a 25 anos estão com medo do futuro de sua geração.

 

A reportagem é de Amelia Hill, publicada por The Guardian, 03-10-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Mais de um terço dos jovens sente que sua vida está fora de controle, de acordo com os resultados de uma pesquisa inglesa que destaca o impacto da pandemia de covid-19 sobre os jovens.

 

A pesquisa Prince's Trust Class of Covid também descobriu que mais de 60% dos jovens de 16 a 25 anos disseram estar com medo do futuro de sua geração, tendo vivido durante a pandemia apenas com recursos suficientes para a sobrevivência. Um a cada três jovens acha que suas perspectivas de emprego nunca se recuperarão da pandemia.

 

“Os jovens de hoje estão enfrentando desafios únicos que ameaçam o futuro e as aspirações de uma geração inteira se não agirmos”, disse Jonathan Townsend, chefe-executivo da instituição de caridade no Reino Unido.

 

Educação, emprego e etapas-chave da formação já foram afetados, deixando muitos se sentindo incertos e com medo de um futuro que parece estar fora de controle”, disse ele. “Apesar da alta oferta de empregos, os jovens continuam preocupados com suas perspectivas futuras de carreira”.

 

A pesquisa, que entrevistou mais de 2 mil jovens em todo o Reino Unido, faz parte de uma campanha que a instituição de caridade está lançando esta semana para aumentar a conscientização sobre o impacto de longo prazo da pandemia na geração mais jovem.

 

Quase metade dos entrevistados disse que viver a pandemia os tornou mais resilientes, e pouco mais da metade disse que estava mais determinado a alcançar seus objetivos do que anteriormente.

 

“Os jovens mostraram uma resiliência única para superar os desafios que enfrentaram e estão mais determinados do que nunca para alcançar seus objetivos”, disse Townsend. “Mas eles precisam do nosso apoio para garantir que seus talentos e aspirações não sejam desperdiçados”.

 

Também há evidências de um “desenvolvimento retardado” generalizado entre os jovens como resultado da falta de marcos de desenvolvimento durante a pandemia, de acordo com as conclusões do relatório Savanta State of the Youth Nation.

 

O relatório descobriu que quase um quarto dos jovens de 16 a 19 anos ainda não deu seu primeiro beijo devido à pandemia. Para os de 20 a 25 anos, o número foi de 17%.

 

Um número significativo também é o de jovens que ainda não tiveram relacionamentos amorosos, com um em cada cinco dos 16 a 19 anos e 15% dos 20 a 25.

 

A pesquisa de Savanta, especialista em pesquisa sobre jovens que dirige o maior painel de pesquisa sobre jovens do país, fez a mais de mil jovens o mesmo conjunto de perguntas nos últimos sete anos.

 

Os pesquisadores descobriram que a pandemia inaugurou uma nova era de incerteza e falta de autoconfiança. “O impacto desses dois anos de independência perdida pode ter consequências de longo alcance”, disse Josephine Hamson, vice-presidente da organização. “Há todos os tipos de marcos importantes de desenvolvimento perdidos que podem impedir os jovens agora que o mundo se abriu novamente”.

 

Quase 60% dos jovens que viviam sozinhos durante a pandemia disseram aos pesquisadores que agora não tinham confiança para tomar suas próprias decisões, em comparação com 40% antes da pandemia.

 

Para aqueles que moravam com os pais durante a pandemia, a queda na autoconfiança foi significativamente menos acentuada, com 47% dizendo que podiam se decidir, em comparação com 52% antes da pandemia.

 

O relatório também descobriu que os jovens que sofreram interrupções no início do trabalho ou que tiveram que trabalhar on-line ficaram confusos sobre o que esperar do mundo do trabalho. Antes da pandemia, 68% dos jovens achavam que o trabalho era o que esperavam. Pós-pandemia, o número caiu para 49%.

 

A pesquisa também mostra que os jovens estão menos confiantes para realizar tarefas no trabalho. A proporção daqueles que se sentem capazes de se concentrar em uma tarefa por um período prolongado caiu de 55% pré-pandemia para 39% pós-pandemia.

 

Ter a confiança para conversar com seus gerentes é outra área em que os jovens sofrem, com 21% se sentindo capazes de conversar com seus superiores no trabalho, em comparação com 37% antes da pandemia.

 

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