E, mesmo assim, fizeram-no bispo

Foto: Reprodução | Vatican Insider

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Novembro 2021

 

Esse Dom Viganò, que, protegido pelo lindo chapeuzinho de bispo, nos explica que alguém “matou deliberadamente os contagiados para nos fazerem aceitar lockdowns, máscaras e toques de recolher”, absolutamente não me faz rir. Porque a loucura não é engraçada, a mentira não é engraçada, a calúnia não é engraçada.

O comentário é de Michele Serra, jornalista e escritor italiano, em artigo publicado em La Repubblica, 11-11-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A liberdade de expressão também não pode ser invocada para proteger qualquer obscenidade que jorra da boca humana, muito menos se quem a produz é um homem de poder como esse cavalheiro.

Quem “matou deliberadamente” os doentes da Covid? Como é que um juiz não convoca Viganò e lhe pede explicações pelas suas palavras, que, sozinhas, valeriam a abertura de um inquérito pelo crime de massacre?

Por que um programa de grande audiência e um apresentador de autoridade (Giovanni Floris) transmitiram esse horrível comício como se fosse a piada de um ambulante, seguida, como única explicação, de um “que Deus o perdoe” pronunciado por um Bruno Vespa particularmente clerical, presente em cerca de 16 programas ao mesmo tempo para promover a sua doação anual?

Não é Deus quem deve perdoar Viganò: são os médicos, os enfermeiros, os voluntários que fizeram muito, muitas vezes arriscando a vida, para salvar os doentes da Covid. E eu realmente espero que eles nunca perdoem Viganò, por ter ousado dizer que, em algum hospital, “alguém” teria decidido matar pessoas entubadas e impotentes por razões políticas, para servir a um complô, para honrar um contrato com a Big Pharma ou outra paranoia negacionista aleatória.

Em um estúdio de televisão, entre homens do mundo, prefere-se sorrir de um Viganò. Eu confesso que fiquei muito irritado: até com quem sorria no estúdio. Vê-se que não sou um homem do mundo.

 

Leia mais