Campanha Primavera pela Vida enfrenta a difusão de fake news

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27 Setembro 2021

 

A cidade alagoana de Porto Calvo está implantando a primeira biblioteca comunitária, dentro do projeto da Aliança de Batistas do Brasil para a instalação de ambientes virtuais voltados à capacitação de jovens. A informação é da presidenta da Aliança, professora universitária Camila Oliver, apresentada no lançamento da 21ª edição da Campanha Primavera para a Vida, da Coordenaria Ecumênica de Serviço (CESE).

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

A Campanha veio a público na quarta-feira, 22, num seminário virtual, e tem por tema “Guarda os teus lábios de falarem enganosamente, quem diz a verdade manifesta a justiça”, baseado em Provérbios 12,17. A CESE apresentou, no seminário, a publicação “Buscar a Verdade: um Compromisso de Fé”, que trata do problema das notícias falsas (fake news), apontando como as comunidades de fé são impactadas e como podem enfrentar injustiças e mentiras, apresentando subsídios bíblicos e teológicos para esse embate.

As pessoas estão sendo inundadas “por um discurso (ou discursos) religioso(s) que traveste Jesus e a Comunidade Cristã como um clube de pessoas privilegiadas e homogêneas, advogando e trabalhando por um projeto de interesse próprio e que tem por método o uso da violência (em suas diversas expressões) fundado numa compressão da religião como arma de destruição em massa e de dominação totalitária. Esse discurso ganha as ruas e as mentes das pessoas, religiosas ou não, e sustenta o projeto neoliberal das desigualdades como algo natural e ordenado por Deus”, apontou o teólogo anglicano Paulo Ueti no texto que escreveu para a publicação.

O pastor presbiteriano unido, Dr. Alexandre de Jesus dos Prazeres, lembrou no texto que trouxe para o guia de enfrentamento de fake news da CESE, que há uma diferença no conceito de verdade que tem sua origem na filosofia grega, que é intelectual, do conceito de verdade na Bíblia, que é existencial. “No mundo bíblico, verdade é o mesmo que confiabilidade”, assinalou. Reforçando essa compreensão, Ueti escreveu que “ser como Jesus é verdade”.

Camila detectou que o volume de informações com grande apelo emocional tem a finalidade de alcançar mais cliques do que a verdade. Tais postagens, somadas “à baixa escolaridade da população brasileira, bem com a fragilidade do nosso sistema educacional, criam o ambiente ideal para a disseminação das fake news”.

É só abrir plataformas de redes sociais para encontrar “uma enxurrada de discursos e imagens apresentando Jesus como aquilo que ele não é”, afirmou Ueti. E infelizmente há denominações cristãs que se prestam para essa enxurrada. “A ideia de que o cristianismo é para um grupo privilegiado, que é para prosperar economicamente (acentuando a desigualdade e normalmente recorrendo às corrupções pequenas e grandes nossas de cada dia) e que é algo individual e de virtudes pessoais, é algo diabólico (mentiroso e que fragmenta) e longe da vida, morte e ressurreição de Jesus”, frisa o teólogo episcopal anglicano.

A jornalista e doutora em Ciências da Comunicação, Magali Cunha, arrolou que as fake news encontram grande eco em ambientes cristãos, o que tem relação com a confiança que os fiéis têm em seus pastores e pastoras, como nos conteúdos que circulam pelas igrejas. Magali reportou-se a um hábito cristão:

“São pessoas que gostam de fazer evangelização e quando elas passam adiante esse conteúdo, é isso que elas acham que estão fazendo. Porque aquele conteúdo é preparado especialmente para atingir esses grupos. E aí somam-se a moralidade ressentida, a credibilidade do ‘grupo da igreja’, da liderança. Quem recebe algo do pastor ou da pastora vai achar que é mentira?”- indagou.

Reportando-se ao livro de Provérbios – “Existem sete coisas que o Senhor Deus detesta e que não pode tolerar: o olhar orgulhoso, a língua mentirosa, mãos que matam gente inocente, a mente que faz planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que diz mentiras e a pessoa que provoca brigas entre amigos”-, Magali enfatizou que essa é uma orientação bíblica. Espalhar mentiras “é um grande pecado, algo que desagrada a Deus, o que Jesus atribui como ação do diabo, causador de confusão e pai da mentira”.

Além de artigos assinado por Magali Cunha, Camila Oliver, Paulo Ueti e Alexandre de Jesus dos Prazeres, a publicação da CESE conta com a contribuição de textos da teóloga luterana Renate Gierus, da Dra. Flora Maria Pereira, da Igreja Católica, e do pastor presbiteriano independente André Lima. A publicação pode ser baixada acessando aqui.

 

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