População negra da periferia de São Paulo é a mais afetada pela pandemia

Foto: Fotospublicas.com

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Fevereiro 2021

Nessas regiões, idosos morrem quase duas vezes mais do que a população da mesma faixa etária em outras áreas da capital. Para o Instituto Pólis, vacinação precisa considerar a geografia para a imunização ser eficiente.

A reportagem é de Danilo Reenlsober, publicada por Rádio Brasil Atual – RBA, 23-02-2021.

Estudo do Instituto Pólis revela que a população negra, residente em áreas da periferia de São Paulo, é a mais afetada pela pandemia de covid-19. Ao longo de 2020, morreram 52% mais homens negros do que brancos e 60% mais de mulheres negras do que brancas. Com base no mapeamento de hospitalizações e óbitos em decorrência do novo coronavírus, o levantamento identificou que essa diferença também pode ser observada entre os idosos negros, que morrem quase duas vezes mais do que o esperado em relação à população total dessa faixa etária na capital paulista.

Na avaliação do pesquisador do Instituto Pólis, Vitor Nisida, os fatores raça e classe acabam influenciando porque é a população negra e periférica que possui o menor acesso ao sistema de saúde, tem menor renda e está mais exposta ao vírus durante a pandemia. Já que em muitos casos é impossível a realização do isolamento ou do home office. De acordo com o pesquisador, ao traçar as regiões mais afetadas, o estudo evidenciou que vacinar o público prioritário dessas regiões seria mais eficaz para o combate à pandemia.

Estratégia de vacinação territorial

Entre os distritos que, segundo o Instituto Pólis são os mais expostos, estão Sapopemba, Brasilândia, Freguesia do Ó, Iguatemi e Jardim Helena. As regiões de São Mateus, Cachoeirinha, Jardim Ângela, Grajaú, Jardim São Luíz, Cidade Tiradentes e Cidade Ademar também fazem parte da lista. Em paralelo, distritos com menor proporção de população negra e de maior padrão de renda apresentam baixa ou nenhuma sobremortalidade. Isto é, um número de óbitos observados maior que o de óbitos esperados.

“Estamos propondo uma estratégia localizada para tentar chegar mais próximo e mais rápido possível de alguma imunidade coletiva ainda que localmente. Ao fazer isso, estamos imunizando justamente aquelas pessoas que mais precisam sair de casa para trabalhar e conseguir sua fonte de renda do dia”, explica Nisida.

A infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi, analisa que a pandemia evidenciou os problemas sociais do país. Mas, segundo ela, não pode haver “privilégios sociais” no processo de vacinação. Para a médica, o grande problema enfrentado hoje é a falta de vacinas, já que o Brasil tem conhecimento e técnicas de garantir a vacinação para toda a população. “Quanto mais meios você tiver para atingir todas as camadas da população e facilitar que todos tenham acesso é melhor”, defende Raquel.

Confira a reportagem

Leia mais