Missas, o sentido das palavras do Papa Francisco

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29 Abril 2020

"A prudência do Pontífice é de fato uma luz verde para o acordo agora próximo. Ameniza as relações entre o Estado e a Igreja", escreve Alberto Melloni historiador italiano, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha, em artigo publicado por La Repubblica, 28-04-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Na homilia desta terça-feira, o Papa (que está celebrando diante de uma pequena assembleia) proferiu uma declaração que repercutiu na política e na igreja: “neste momento em que começamos a ter disposições para sair da quarentena, oremos ao Senhor para que dê ao seu povo, a todos nós, a graça da prudência e da obediência às disposições para que a pandemia não retorne".

Francisco, como dizem alguns, desmentiu a CEI, que imediatamente após o final da conferência de imprensa de Conte havia expressado sua "discordância" com a tese segundo a qual um comitê recebia do executivo o direito de decidir quais ritos seriam permitidos (os funerais) e quais proibidos (a missa)? Ou, como outros dizem, ele realmente quis dar um sinal àqueles seus inimigos que haviam transformado o conflito com o governo em uma política?

Parece-me que não. Por três razões.

Primeiro: a reação dos bispos, assim como aquela menos contundente dos rabinos e imãs italianos, foi necessária por um objetivo passo em falso do Palazzo Chigi, ao qual Marta Cartabia lembrou que a Constituição não contempla "um direito especial para os tempos excepcional ". E o governo percebeu isso tanto que, 42 minutos após o comunicado da CEI anunciou uma negociação que dará oportunidade a uma pequena representação das comunidades de se reunir e retomar o culto com liberdade.

Segundo: o medo de uma verve antigovernamental do tipo ruiniano não pertence ao papa e, de qualquer forma, não tem razão de ser. Porque o objetivo daquela CEI da época não era o governo, mas Romano Prodi e uma cultura política: que não é aquela de Conte 2, pela qual a igreja manifesta reconhecimento, como todos aqueles que pensam com arrepio como teria sido uma pandemia com Salvini no Ministério do Interior.

Terceiro: se há uma coisa que a igreja hoje teme e deve temer, é a política religiosa das direitas: que explora descaradamente a vida religiosa. E, paradoxalmente, afastar o governo de um jurisdicionalismo que alimenta as direitas é uma maneira de protegê-lo.

O Papa, portanto, não sugeriu adesão cega a proibições que não assumiu - tanto que rejeitou a proposta "drástica" de fechar as portas das igrejas de Roma e na paróquia de Santa Ana no Vaticano permite que se celebre regularmente. Ele simplesmente alertou o fanatismo devocional que poderia se firmar entre os mais devotos ou entre os provocadores profissionais que – terço numa mão e antissemitismo na outra - poderiam se infiltrar em uma espera de fé que está encontrando respostas.

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