Partilhando a experiência vivida na 'Amazônia: Casa Comum'

Seu Honorato e dona Maria (Povo Sateré – Mawê, Maués/AM) e Juscélio Pantoja (Centro Alternativo de Cultura – CAC, Belém/ PA) | Foto enviada pelo autor do texto

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

29 Outubro 2019

Em poucas palavras quero partilhar a marcante experiência vivida junto a Amazônia: Casa Comum. Foram momentos intensos e de muita profundida, num período que respiramos tanto ódio e divisão. O espaço na Igreja Traspontina foi para nós a nossa “Casa Comum”, nestas 4 semanas do Sínodo aqui em Roma. Momentos de mística/espiritualidade e de convivência fraterna e uma busca de caminhar juntos. Os mártires da caminhada foram fonte de inspiração, nos ajudando abrir nossos olhos nossa mente e nosso coração para que “não deixemos morrer a esperança”, Muitas pessoas se juntaram a nós trazendo suas energias positivas.

O relato é do pe. Paulo Tadeu Barausse, padre jesuíta e coordenador do SARES, Manaus.

Poder pisar o chão sagrado da catacumba de Santa Domitila foi um momento de profunda emoção. Confesso que o local irradia uma atmosfera de luz e muita consolação.

As plantinhas que aparecem plantadas em uma cuia e que dona Maria de Lourdes - Povo Sateré–Mawê está segurando foi plantado no primeiro dia do Sínodo. A cuia foi trazida de uma comunidade ribeirinha assim também a terra. As sementes de milho nasceram e ai estão seus brotos. Esta plantinha entrou como símbolo do ofertório na celebração de encerramento que aconteceu ontem [27-10-2019] de manhã na Basílica de São Pedro. Podemos afirmar que as sementes do Sínodo vem sendo plantada ao longo de um grande período. Temos conhecimento do imenso trabalho realizado durante o pré-sínodo. É a teimosia da vida que segue sua dinâmica. Nestas quatro semanas estas sementes foram, adubadas regadas e se fortaleceram para produzir mais frutos. Como afirma o cacique Davi Kopenawa: “Para nós desenvolvimento é ter nossa terra com saúde permitindo que nossos filhos vivam de forma saudável num lugar cheio de vida”.

Sínodo é um convite para caminhar juntos. O documento final nos chama a conversão em diversos níveis da nossa ação em defesa e promoção da vida. Quero destacar 4 pontos que acredito que tem grande importância.

Primeiro ponto: O que ficou claro é que a Igreja quer estar junto do Povos originários, se comprometendo com suas causas. Ela quer ser uma aliada que os apoia na luta contra tudo aquilo fere sua dignidade: a falta de respeito, descriminação e a não demarcação de seus territórios.

Segundo ponto: O documento final indicou pontos concretos, que nos servem como faróis que indicam a nossa ação pós-sinodal: A Igreja tem que trabalhar dar continuidade enfocando o rosto amazônico. Lançar sementes buscando novos caminhos: para uma inovação na liturgia, na teologia e na espiritualidade. Ser uma presença viva e atuante nas comunidades, repensar os serviços (mistérios). Implementar uma escola de formação, um observatório, meios concretos para que possamos ir colhendo frutos e configurando este “Rosto Amazônico” da Igreja ser.

Terceiro ponto: Muito importante destacar é que já existem estruturas, instituições que são instrumentais que trabalham juntos e continuaram trabalhando plantando sementes para fazer o Sínodo produzir frutos. O CELAM, Comissão Especial para Amazônia, REPAM, devem continuar construindo uma identidade Pan–Amazônica que é muito importante. O Sínodo necessita destes instrumentos para que verdadeiramente possa se concretizar, criando raízes profundas.

Quarto ponto: Muito importante pensar o que é Igreja Particular e uma Igreja Universal. Este Sínodo foi um grande aprendizado para muitas outras Igrejas para onde podemos caminhar: Lutar para sustentabilidade da Casa Comum, o Bem Viver, construção de sociedades mais justas e solidárias. Claro que em todas estas ações temos que saber lidar com o Particular e o Universal, as Igrejas particulares unidas entre si e em sintonia com o Papa Francisco. Nos traz muita esperança e profunda consolação, sabendo que o Deus da Vida e do Reino, que faz nova todas as coisas, caminha conosco nos animando e encorajando.

Leia mais