O cardeal Burke inicia a cruzada contra o Sínodo sobre a Amazônia, com base em um documento herético

Bispos reunidos em Belém para discutir o Sínodo sobre a Amazônia | Foto: Leonardo Monteiro - CNBB

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16 Setembro 2019

O sínodo sobre a Amazônia a menos de um mês de seu início já está criando sérios problemas no Vaticano. O cardeal Raymond Burke e o bispo Athanasius Schneider assinaram uma declaração de oito páginas na qual lançam um alerta contra seis "graves erros teológicos e heresias" que - na opinião deles - estão contidos no documento de trabalho do Sínodo que será aberto em outubro no Vaticano. Por esse motivo, os dois prelados pedem oração e jejum para impedir que o documento seja aprovado.

A informação é de Franca Giansoldati, publicada por Il Messaggero, 13-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

A declaração de Burke e Schneider foi divulgada pelo National Catholic Register, uma publicação de viés conservador. O cardeal Burke e Schneider, auxiliar de Astana, no Cazaquistão, também publicaram um apelo para que o Papa Francisco possa "confirmar seus irmãos na fé com uma clara rejeição aos erros" contidos, na opinião deles, no documento de trabalho. Burke e Schneider lançam um apelo ao mundo católico para "rezar todos os dias pelo menos uma dezena de rosários e jejuar uma vez por semana" por essas intenções durante um período de 40 dias, de 17 de setembro a 26 de outubro.

As críticas feitas dizem respeito a seis pontos. O primeiro diz respeito à suspeita herética de "panteísmo implícito", que implica a identificação de Deus com o universo e a natureza onde Deus e o mundo são uma única coisa. Em segundo lugar, destaca-se que as superstições pagãs não são "fontes da Revelação divina e caminhos alternativos para a salvação", visto que o documento do Vaticano indica as tribos amazônicas "expressões da Revelação divina". Burke enfatiza que o Magistério rejeita qualquer relativização da revelação de Deus. Depois é rejeitada a afirmação do Vaticano segundo a qual os aborígines já receberam revelação divina, e que a Igreja Católica na Amazônia deveria submeter-se a uma “conversão missionária e pastoral”.

Outro ponto contestado diz respeito à adaptação dos ministérios católicos ordenados aos costumes ancestrais do povo aborígine, concedendo ministérios oficiais às mulheres e ordenando os líderes casados ​​da comunidade como sacerdotes de segunda classe, privados de parte de seus poderes ministeriais, mas aptos a desempenhar rituais xamânicos.

Finalmente, adverte contra a conversão ecológica integral que inclui "a adoção do modelo social coletivo" das tribos aborígines, onde "a personalidade individual e a liberdade são minadas".

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