Greve Geral: “outro Brasil é possível”

Greve geral em SP, 14 de junho. | Foto: Divulgação/CUT

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22 Junho 2019

"A Greve - com o lema “é Greve porque é Grave” - envolveu cerca de 45 milhões de trabalhadores e trabalhadoras de mais de 200 categorias no Brasil inteiro. Cerca de 400 cidades em todos os Estados registraram protestos: contra o desmonte da Previdência Pública, os cortes na educação, o desemprego e as privatizações; em defesa da saúde pública e dos direitos que os trabalhadores e trabalhadoras conquistaram com muita luta e a duras penas.", escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia da UFG.

Eis o artigo. 

A Greve Geral do dia 14 mostrou aos trabalhadores e trabalhadoras - sobretudo aos mais pobres - e a todos e todas nós que “outro Brasil é possível”. Renovou nossa esperança, fortaleceu nossa luta e nos fez experimentar - desde já - a certeza da vitória.

A Greve - com o lema “é Greve porque é Grave” - envolveu cerca de 45 milhões de trabalhadores e trabalhadoras de mais de 200 categorias no Brasil inteiro. Cerca de 400 cidades em todos os Estados registraram protestos: contra o desmonte da Previdência Pública, os cortes na educação, o desemprego e as privatizações; em defesa da saúde pública e dos direitos que os trabalhadores e trabalhadoras conquistaram com muita luta e a duras penas. “Nenhum Direito a menos”! Muitas dessas cidades paralisaram, total ou parcialmente, o transporte público.

Em Goiânia, houve uma grande manifestação pública, que mobilizou cerca de 20 mil pessoas. Iniciou às 10 horas na Praça Cívica e - depois de uma longa caminhada com cartazes, faixas e muitas falas - encerrou por volta das 13 horas na Praça do Trabalhador.

No Estado de Goiás - além de Goiânia - mais 12 cidades registraram atos públicos (Anápolis, Catalão, Cidade de Goiás, Formosa, Itapuranga, Itumbiara, Jataí, Mambaí, Orizona, Quirinópolis, Silvânia e Simolândia). Em vários outros municípios pararam bancos e rede de Educação.

Em Goiás (como em outros Estados), a Greve Geral foi unificada. Apesar das diferenças, participaram ativamente da Greve as Centrais Sindicais: CUT, CSP Conlutas, Força Sindical, Intersindical, CSB e UGT; as Frentes (de Movimentos Populares): Brasil Popular e Povo Sem Medo; o Fórum Goiano contra as Reformas da Previdência e Trabalhista, o Comitê de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino, a Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil e muitos outros Coletivos de Trabalhadores e Trabalhadoras. “Povo unido (de maneira organizada) jamais será vencido! A Greve unificada foi um sinal de maturidade! Parabéns!

Lutando por seus direitos, as organizações populares combatem também os atos de corrupção praticados por governantes e políticos e, sobretudo, a corrupção estrutural, legalizada e institucionalizada (o sistema corrupto).

Para ilustrar isso - entre os muitos que poderiam ser lembrados - cito só um exemplo. Com o auxílio-alimentação, o auxílio-pré-escola e o auxílio-transporte dos servidores do alto escalão dos três Poderes, o Governo gasta “legalmente” 3,8 bilhões anuais. Para economizar 1 trilhão, bastaria cortar “legalmente” os privilégios do alto escalão dos três Poderes. Chega de enganação do povo!

Por fim, a Greve Geral do dia 14, além de legítima e justa, foi profundamente humana e cristã. “Eu vim para que todos/as tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

Com muita indignação e dor no coração, denuncio a omissão da Igreja - da minha Igreja - que, se fosse realmente uma “Igreja em saída”, teria declarado publicamente apoio à Greve.

“A Doutrina Social da Igreja reconhece a legitimidade da Greve ‘quando se apresenta como recurso inevitável, e mesmo necessário, em vista de um benefício proporcionado’, depois de se terem revelado ineficazes todos os outros recursos para a composição dos conflitos. A greve, uma das conquistas mais penosas do associacionismo sindical, pode ser definida como a recusa coletiva e concertada, por parte dos trabalhadores, de prestar o seu trabalho, com o objetivo de obter, por meio da pressão assim exercida sobre os empregadores, sobre o Estado e sobre a opinião pública, melhores condições de trabalho e da sua situação social. Também a Greve, conquanto se perfile ‘como … uma espécie de ultimato’, deve ser sempre um método pacífico de reivindicação e de luta pelos próprios direitos; torna-se ‘moralmente inaceitável quando é acompanhada de violências ou ainda quando se lhe atribuem objetivos não diretamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum’”.

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