Riscos da agropecuária: o governo é um suco não vitaminado de galhofas

Foto: Agência Brasil

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Fevereiro 2019

Salles autorizou Messias a promover um porrilhão de obras amazônicas. Pudera, se nem sabe quem foi Chico Mendes.

O comentário é de Rui Daher, criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola, publicado por CartaCapital, 14-02-2019.

Eis o comentário.

Tá certo que “Das Marés”, ‘vai de rosa ou vai de azul’, machuca e faz doer quando bota a proibir. Confunde, também, o que li em livros e assisti em filmes e aulas na juventude. “Olavus” é um centurião romano que agride para todos os lados. Pouco importa. O desejo é a vitória dos ferozes leões. Não discerne, como velhas em portas de igrejas, empunhando o guarda-chuva para espantar os cães que, preguiçosamente, se espalham nas escadarias. E tem “El Señor Vélez de Bogotá”, que apesar de nos reconhecer canibais quando viajando, adotou nacionalidade brasileira, 22 anos atrás. Não fui informado a quem quer comer.

Haveria muitos mais. O atual governo é um suco não vitaminado de galhofas. Pouco acredito em graves repercussões na institucionalidade do país em suas disputas contra um Legislativo inculto e Judiciário confuso, medroso, subalterno a Moro.

Os males que trará Paulo “Keds” (o ‘posto Ipiranga’ do Messias Jair, apud Paulo Henrique Amorim) todos já conhecíamos: entregar soberania, patrimônios e direitos trabalhistas. Péssimo inglês, economista de quinta linha, tudo o que o rentismo brasileiro precisava para mais destruir nossas atividades produtivas.

Então, onde foi parar o perigo real? Justamente naquilo que sustenta meu trabalho e minha vida. A musa dos agrotóxicos, Tereza ‘Cretina’, e o chanceler “Honesto Sabujo”.

A primeira acaba de liberar, em 42 dias, 57 novos produtos à base de agrotóxicos. Doze deles pesticidas de alta periculosidade, vários já banidos nos EUA e Europa. Fucking delicious, pensou a ANDEF. Sulfoxaflor? Pode! Ele atua diretamente no sistema nervoso dos insetos causando paralisia e morte. Faz o mesmo com polinizadores, como as abelhas, que tantos cientistas apontam sua extinção natural como catástrofe. Metomil? Pode!

Sabujo”, diplomata por forte e imponente parentesco de seu primeiro casamento, e influente próximo do “pinçador” Olavo de Carvalho, tomou para combate o “marxismo cultural”, ou seja, aquilo que Jorge Benjor praticava com sua Nega Tereza. Daí, partiu para a crítica ao “globalismo”, com toda a razão. Sempre temi por acidente grave, nos circos, vendo aquelas motos girarem dentro dos chamados “Globo da Morte”. Não fui informado sobre alguma relação com as Organizações.

E aí vêm Bannon, Spengler, o PT transposto a ‘Partido Terrorista’. Ótimos e tradicionais diplomatas do Itamaraty Digno passaram a surpreender-se com esse novo protagonismo. O gaúcho de Porto Alegre (desconfiava) me assoprava o velho Brizola lá do céu, é um sem-noção.

Enlouqueceu, talvez por influência de “Das Marés”, quando usou no discurso de posse citações em grego, tupi, latim, português e alusões a Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Renato Russo e Raul Seixas. Erudição jogada a esmo para ser usada como papel higiênico.

De Tereza já era esperado. Como porta-voz dos ruralistas, foi nomeada para descaracterizar a Lei de Agrotóxicos e destruir FUNAI, INCRA e ANVISA. Mesmo assim, insaciáveis, os ruralistas querem mais. Mais subsídios, perdão de dívidas bilionárias, tudo já prometido pelo Messias que veio e não sabemos se vai ficar.

Sabujo troca as bolas: liga-se ao nosso maior concorrente em exportações agropecuárias e se afasta de nossos potenciais clientes internacionais. Já escrevi aqui sobre essa estultice, citando números animadores do antigo deslocamento.

Troco: Rússia manda reduzir o uso de agrotóxicos, caso contrário deixa de comprar soja. No mesmo tema, aumentam nossos contenciosos comerciais e sanitários. Frangos para o Oriente Médio e Ásia.

Ô sojicultor, está sofrendo com a queda na produção por causa da seca? Vão aguardar dar preço ou câmbio mais favorável? A colheita vai mal, os grãos se deformam. Ricardo Salles sugeriu e autorizou Messias a promover um porrilhão de obras em território amazônico. Pudera, se nem sabe quem foi Chico Mendes.

Ah, o que importa isso para a soja, né?

Ih, desculpem-me, olha o Mourão nos espiando!

Inté.

Leia mais