Filipinas: ''Eles morreram por causa da mineradora, e não do furacão''

Bandeira das Filipinas. | Foto: Pixabay

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20 Setembro 2018

Enquanto continua aumentando o número de vítimas do deslizamento de terra causado pelo supertufão Mangkhut, o Pe. Edwin Gariguez, da Cáritas filipina, aponta o dedo contra a mineradora que operava na região: “No ano passado, quando foi ordenado o fechamento, ela subcontratou as atividades dos pequenos garimpeiros, em vez de reabilitar o meio ambiente”.

A reportagem é de Mondo e Missione, 18-09-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na parte norte da ilha de Luzon, nas Filipinas, subiu para 74 o número de mortes causadas pelo supertufão Mangkhut sobre as montanhas de Itogon, na província de Benquet, onde um deslizamento de terra varreu as casas dos pequenos garimpeiros e das suas famílias. Com o passar das horas, no entanto, também está vindo à tona como essa tragédia não está ligada apenas ao fenômeno climático.

A denúncia é do Pe. Edwin Gariguez – sacerdote filipino conhecido pelas suas batalhas ambientalistas (em 2012, ele também recebeu o Prêmio Goldman, considerado o Prêmio Nobel da defesa do ambiente) e hoje também secretário-geral do Nassa, a Cáritas das Filipinas.

O Pe. Gariguez aponta o dedo contra a Benquet Corporation, uma empresa de mineração que, depois de explorar esse território para extrair ouro, deixou-o, depois, em uma situação de extrema vulnerabilidade.

De acordo com o que foi relatado pelo sacerdote filipino, a mina da empresa era uma das que, no ano passado, a então ministra do Meio Ambiente e Recursos Naturais, Gina Lopez, havia mandado fechado porque não estava em conformidade com as normas ambientais.

Esperava-se que a área fosse recuperada, mas a Benquet Corporation não teria feito nada mais do que subcontratar a extração de ouro dos pequenos mineradores, continuando, de fato, a própria atividade.

“Essa comunidade se tornou mais vulnerável aos desastres naturais justamente por causa da atividade destrutiva da Benquet Corporation”, comenta o Pe. Garriguez. “É necessário que ela seja reconhecida como responsável, porque a justiça significa reparação dos danos.”

Após a tragédia, as autoridades filipinas proibiram, nessa terça-feira, 18, todas as atividades de extração aos pequenos garimpeiros em toda a região administrativa da cordilheira.

“Mas o Ministério do Meio Ambiente deveria estar na linha de frente para fazer com que as grandes empresas assumam as suas responsabilidades”, acrescenta o Pe. Garriguez. “Mais frequentemente, em vez das comunidades mais pobres, elas estão do lado das empresas de mineração.”

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