O Papa reforma o instituto sobre o matrimônio e a família fundado por Wojtyla

Foto: Jeon Han - Republic of Korea/Flickr

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

20 Setembro 2017

O Papa Francisco, com uma carta apostólica em forma de Motu proprio, com data de 8 de setembro de 2017 (e publicada no dia 19 de setembro), instituiu o Instituto de Estudos sobre o Matrimônio e a Família desejado por João Paulo II, estendendo seu raio de ação. O documento, intitulado Summa Familiae Cura, lembra que o Papa Wojtyla, após o Sínodo dos Bispos de 1980 e a Exortação Familiaris Consortio de 1981, deu uma forma estável ao Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família, que desenvolvia suas atividades na Universidade Lateranense.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 19-09-2017. A tradução é de André Langer.

Agora, depois de dois outros Sínodos, de 2014 e 2015, dedicados à família, e após a publicação da Exortação Amoris Laetitia, a Igreja chegou a "uma renovada consciência do Evangelho da família e dos novos desafios pastorais aos quais a comunidade cristã é chamada a dar respostas".

"A centralidade da família nos processos de ‘conversão pastoral’ de nossas comunidades e de ‘transformação missionária da Igreja’ – escreveu Francisco – exige que, mesmo no nível da formação acadêmica, na reflexão sobre o matrimônio e a família nunca faltem a perspectiva pastoral ou a atenção às feridas da humanidade".

O Papa Bergoglio insistiu em que "o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja", e que é "salutar prestar atenção à realidade concreta" da família, devido à "mudança antropológico-cultural que influencia hoje todos os aspectos da vida e requer uma abordagem analítica e diversificada" e "não nos permite limitar-nos a práticas da pastoral e da missão que refletem formas e modelos do passado".

"Com o claro propósito de permanecer fiel ao ensinamento de Cristo" – escreveu Francisco –, "devemos, portanto, ver, com o intelecto de amor e com sábio realismo, a realidade da família, hoje, em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras. Por estas razões, eu considerei oportuno dar uma nova configuração jurídica ao Instituto João Paulo II, de modo que a clarividente intuição de São João Paulo II, que desejava fortemente essa instituição acadêmica, agora possa ser reconhecida e apreciada melhor em sua fecundidade e atualidade".

O novo Instituto Teológico para as Ciências do Matrimônio e da Família, dedicado a João Paulo II, ampliará o campo de suas ações e estudos, "tanto em ordem às novas dimensões da tarefa pastoral e da missão eclesial, como em referência aos progressos das ciências humanas e da cultura antropológica em um campo tão fundamental para a cultura da vida".

O Papa Bergoglio precisou que o novo instituto deve levar em conta a inspiração original da qual nasceu o anterior, "contribuindo eficazmente para a plena satisfação das exigências atuais da missão pastoral da Igreja". Nos breves artigos, que serão acompanhados de novos estatutos, destaca-se a “especial relação do novo Instituto Teológico com o ministério e o magistério da Santa Sé", que será enriquecido com a "privilegiada relação" que estabelecerá com a Congregação para a Educação Católica, com o Dicastério para os Leigos, a Famlia e a Vida e com a Pontifícia Academia para a Vida. O documento especifica que o Instituto Teológico terá “a faculdade de conferir ‘iure proprio’ aos seus alunos os seguintes graus acadêmicos: o Doutorado em Ciências do Matrimônio e da Família; Licenciatura em Ciências do Matrimônio e da Família; o Diploma em Ciências do Matrimônio e da Família".

"Com esta decisão – explicou o arcebispo Vincenzo Paglia, Grão-chanceler do Instituto, ao Vatican Insider –, o Papa amplia a perspectiva: de uma perspectiva concentrada apenas na teologia moral e sacramental, a uma perspectiva bíblica, dogmática e histórica, que leva em consideração desafios contemporâneos. Francisco compreendeu muito bem o papel histórico da família, tanto na Igreja como na sociedade. E a família não é um ideal abstrato, mas uma realidade majoritária da sociedade, que deve redescobrir sua vocação na história”.

A referência à continuidade com o Instituto anterior, “por si só, fecha o caminho – explicou Paglia – para uma interpretação que queira atribuir a este autorizado ato de refundação um distanciamento da inspiração de João Paulo II". Concluindo, o arcebispo observou que o Papa indicou que os profissionais que compõem o atual instituto devem ser "protagonistas da mudança e da reestruturação que serão necessárias para atingir os objetivos do novo assunto" e que, portanto, contam com a confiança do Pontífice.

Leia mais