Empresários do Pará pedem a Temer que acabe com Fundo Amazônia

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Julho 2017

Entidade vê financiamento a “propósitos alienígenas”; com cortes de até 30%, Ibama depende de recursos do fundo para executar atividades.

Incomodado com a repercussão negativa da viagem de Michel Temer à Noruega, em junho, o presidente do Fórum das Entidades Empresariais do Pará, José Conrado Santos, escreveu uma carta ao presidente solicitando a “imediata suspensão do Fundo Amazônia”. Segundo ele, essa seria a forma mais adequada para “recuperamos o respeito internacional, pois o que sentimos hoje é o desrespeito à nossa condição de amazônida e, com isso, ver a ver a nação brasileira ser humilhada quando de sua presença na Noruega”.

A reportagem é de Cauê Ameni e publicada por De Olho nos Ruralistas, 02-07-2017.

A visita de Temer foi marcada por uma sequência de gafes e retrocessos ambientais. O presidente, que confundiu o rei norueguês Harald V com o “rei da Suécia”, e disse que estava no “parlamento brasileiro”, quando se encontrava no parlamento em Oslo, ouviu o anuncio do maior financiador do Fundo Amazônia de que cortaria, pelo menos, metade dos US$ 400 milhões anuais destinados ao combate o desmatamento. O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, reagiu: “Apenas Deus poderia garantir isso”.

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Conrado Santos considera que a atuação do Fundo Amazônia vem obstruindo as atividades rurais no Pará e na Amazônia, pois seus habitantes estariam “submissos a propósitos alienígenas [que] utilizam os seus recursos nos financiamentos de organizações não governamentais, desprovidos de conhecimento local”.

Maior financiadora do fundo destinado a apoiar projetos de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, a Noruega já doou US$ 1,1 bilhão. O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES e 97% do total é composto pela doação da Noruega, seguido por 2,1% da Alemanha e por 0,5% da Petrobras.

Até as atividades de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) dependem, em parte, desta fonte de recursos. Em 2016, o Ibama sofreu um corte de 30% do seu orçamento. Com essa perda, o órgão teve de recorrer ao Fundo Amazônia, onde conseguiu aprovar em novembro um projeto de RS$ 56 milhões para garantir 15 meses de apoio logístico – com helicópteros e outros veículos – para a fiscalização das reservas protegidas.

No fim da carta, o líder empresarial diz que suspensão do fundo será uma forma de dizer ao mundo que a decisão sobre o que fazer da Amazônia brasileira “é nossa”. O presidente do Fórum das Entidades Empresariais não fala sobre as medidas provisórias que ameaçam a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no sudoeste do Pará.

Desmatamento crescente

Dados oficiais do governo brasileiro, publicados em novembro, mostraram que, entre agosto de 2015 e julho de 2016, o país destruiu quase 8 mil km² de floresta amazônica, um aumento de 29% em relação ao ano anterior. Somente em 2015 a Flona perdeu 9,2 mil hectares de floresta, 87% a mais que no ano anterior, conforme estudo do Instituto do Homem e do Meio Ambiental da Amazônia (Imazon).

Antes de viajar à Europa, por pressões de ambientalistas e para tentar fazer uma agenda positiva em Oslo, Temer tinha vetado integralmente a MP 756 e parcialmente a MP 758. As duas propostas, juntas, afetariam 598 mil hectares de florestas protegidas no sudoeste do Pará. Outra medida semelhante vem sendo gestada entre ruralistas paranaense e o ministro do Meio Ambiente, aponta o Instituto Socioambiental.

Leia mais