Domingo de Páscoa - Ano A - Subsídios exegéticos

Mais Lidos

  • O cruzado, o imperador e seus ataques aos persas. Artigo de José Luís Fiori

    LER MAIS
  • “Hitler com demência” ou “presidente sobre-humano”: o debate sobre a saúde mental de Trump

    LER MAIS
  • "O fascismo voltou". Entrevista com Vladimir Safatle

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Abril 2020

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF: Dr. Bruno Glaab, Me. Carlos Rodrigo Dutra, Dr. Humberto Maiztegui e Me. Rita de Cácia Ló. Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno.


Evangelho: Jo 20,1-9
Primeira Leitura: At 10,34a. 37-43
Segunda Leitura: Cl 3,1-4
Salmo: 117,1-2. 16-17. 22-24

Evangelho

Os relatos joaninos da ressurreição e das primeiras aparições é composto por dois quadros. O primeiro no capítulo 20 e o segundo no capítulo 21. Cada um deles, por sua vez, é composto por várias cenas. Na liturgia de hoje temos a primeira cena: Maria Madalena e os dois discípulos no sepulcro.

O Relato inicia com Maria Madalena nos vv.1-2a, mas o foco da narrativa está voltado para os dois discípulos que correm até o sepulcro.

O primeiro dia da semana (v.1): No Quarto Evangelho, a ressurreição de Jesus é uma nova criação. A primeira criação terminou em 19,30: Está consumada. Começa agora um novo ciclo. - ainda estava escuro: Literalmente: “ainda havia trevas”. É uma escuridão cronológica (o sol ainda não tinha nascido) ou espiritual (Madalena ainda não tinha experimentado a ressurreição e tudo para ela estava escuro, triste e sem perspectivas) ou ideológica (as “trevas”, no Quarto Evangelho são as forças contrárias à verdade e à vida: as forças ideológicas da morte ainda parecem ter vencido) ou criacional: as trevas cobriam o abismo; cf. Gn 1,2)? Talvez um pouco de tudo. Podemos considerar ainda outra referência: Cântico dos Cânticos 3,1: em meu leito, pela noite, procurei o amado de minha alma. Procurei-o e não o encontrei! Pelas ruas e pelas praças... não o encontrei.

Vai a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava (v.2): É só no Quarto Evangelho que estes dois discípulos vão sozinhos ao sepulcro. O querigma oficial fala da aparição a Pedro, mas não que ele estava acompanhado quando foi ao sepulcro vazio.

O outro discípulo correu mais depressa (v.4): O “outro discípulo” é aquele que está na origem da tradição joanina. Notar, quem ama corre mais depressa e chega na frente. O discípulo sabe que o líder do grupo dos apóstolos é Pedro e respeita sua liderança, por isso não entrou mas esperou Pedro.

Nos vv.5-6a não precisamos exagerar em um contraste entre igreja carismática: o outro discípulo e igreja hierárquica: Pedro. Nem precisamos exagerar a posição de Pedro, vendo aqui o primado papal. O acento é: quem ama chega primeiro, mas sabe respeitar quem precisa começar a fazer a experiência com o amado.

Vê os panos de linho por terra e o sudário... enrolado em um lugar à parte (vv.6b-7): O sepulcro é descrito como um quarto nupcial: a vida e a fecundidade que anulam a morte. O fato de o lenço que cobria a cabeça estar enrolado a parte, para alguns indica que não foi obra de um ladrão. Mas é considerado também uma alusão ao véu que cobria o rosto de Moisés depois que falava com Deus (Ex 34,33). Segundo Paulo (2Cor 3,7-18), o véu que escondia a glória de Deus foi removido por Cristo: enrolado em um lugar à parte.

Viu e creu (v.8): Devemos notar a relação entre ver e crer. É uma visão apenas física ou uma descoberta espiritual? É a segunda vez que o outro discípulo vê (v.5), e Pedro também vê (v.6). Essa segunda vez é a visão da fé. Mas, como explicar o v.9?

Ainda não tinham compreendido (v.9): O texto parece dizer que “até aquele momento, ainda não tinham entendido que, segundo a Escritura, Jesus deveria ressuscitar.

Os discípulos foram de novo para casa (v.10): Mas não anunciam o que viram, nem conversam entre si sobre o acontecido. Não basta saber que Jesus está vivo, é preciso fazer a experiência dele presente.

Salmo117,1-2.16ab-17.22-24 (118)

Neste domingo, com o salmista cantamos a vitória sobre a morte. O salmo 117 (118) é uma ação de graças que a liturgia relê à luz dos acontecimentos que hoje celebramos: Jesus rejeitado e exaltado, morto e ressuscitado. Deste modo, somos convidados a renovar nossa esperança na vitória da vida sobre a morte em nosso tempo e em nosso país.

Os vv.22-24 fala da obra maravilhosa de Deus: a pedra rejeita se tornou a pedra principal, a coluna que sustenta a casa. Na releitura cristã deste salmo, a pedra principal é Jesus, o Messias Filho de Deus, vencedor do pecado e morte, que é a pedra angular para vida do mundo, a “casa comum”, como nos recorda o Papa Francisco.

Leia mais: