O PT, vítima do esforço concentrado na candidatura de Lula

Foto: Jeso Carneiro /Flickr

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13 Setembro 2018

“No caso de vitória, qual seria a margem de manobra de Haddad diante da sombra onipresente de Lula?”, pergunta Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo.

Segundo ele, “qualquer governo eleito não terá maioria parlamentar e deverá fazer alianças para conseguir governabilidade. No caso do PT, para retomar um caminho histórico de reencontro com suas bases, ele teria de abrir-se a uma frente ampla, nacional, popular e democrata, como sugerido por várias fontes que querem olhar para além das conjunturas eleitorais”.

Eis o artigo.

Poucas horas antes do prazo final, como esperado, o PT oficializou os nomes de Fernando Haddad e de Manuela d’Ávila como candidatos do PT e do PCdoB. Espicharam a corda até o limite do possível. Esta chapa nasce umbilicalmente presa ao ex-presidente: Haddad é Lula! Ou: Lula é Haddad. Uma candidatura quase sem identidade própria. Tudo indica que haverá uma boa transmissão dos votos de Lula para seu pupilo. O salto de 3% a 8% ou 9% nas últimas pesquisas poderá ser o início de um provável crescimento do candidato petista nos próximos dias, com a transmissão de votos de Lula, com chances de chegar a um segundo turno frente a Jair Bolsonaro. No caso de vitória, qual seria a margem de manobra de Haddad diante da sombra onipresente de Lula?

Mas um ponto tem sido negligenciado. Toda a estratégia do PT se concentrou na candidatura de Lula para presidente. O partido, que sempre teve uma expressão significativa ao nível dos estados, corre o risco de se esvaziar. Senão vejamos no caso de candidatos a governador. Em São Paulo, Luiz Marinho, ligado historicamente a Lula, com a mesma base no ABC, rasteja num 5% dos votos, em quarto lugar. No Rio o caso é mais eloquente: a candidata do PT, Márcia Tiburi, amarga um 1%, abaixo mesmo do candidato do PSOL, Tarcísio Mota, este com 5%. Em Minas Gerais, o governador Fernando Pimentel do PT, está perdendo nas diversas pesquisas para a figura opaca de Antonio Anastasia do PSDB (na última delas, 24% a 14%). No Rio Grande do Sul, uma pesquisa do Ibope de 6/9, indica Miguel Rosseto em terceiro lugar, com 14%, depois de José Ivo Sartori (MDB), com 25%. e Eduardo Leite (PSDB) com 18%. Acre tem sido um reduto petista; seu candidato, Marcus Alexandre está empatado com Gladson Cameli, do PP, com 27% ambos.

Em Pernambuco, o PT local se dobrou aos desejos da direção nacional de apoiar o governador Paulo Câmara, para garantir a neutralidade do PSB na disputa presidencial. Há que lembrar que Câmara apoiou Aécio no segundo turno e foi favorável ao impeachment de Dilma Rousseff. Com isso, o PT retirou a candidatura de Marília Arraes, neta de Miguel Arraes, que vinha tendo apoio de expressivas bases do partido. Na luta interna, a candidata chegou a declarar: “Não vamos deixar que a esperança do povo de Pernambuco seja usada como moeda de troca”. Impôs-se afinal a decisão das cúpulas nacional e estadual do partido. Paulo Câmara está à frente com 30%, mas no seu encalço vem Armando Monteiro (PTB), com 24%.

A situação na disputa para o Senado é mais complexa. Em São Paulo, Eduardo Suplicy provavelmente se elegerá (31%), mas há que lembrar que ele tem um eleitorado próprio. Entretanto, para a outra vaga, Gilmar Tatto, do PT, aparece em oitavo lugar com 3%.

No Rio, Lindbergh Farias, até o momento, com 15% está abaixo de Cesar Maia (22%) e de Flavio Bolsonaro (19%) e corre o risco de ficar de fora de uma das duas vagas, junto com Chico Alencar do PSOL com 11%.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, do MDB, está bem à frente com 38%, mas Humberto Costa, do PT, disputa o segundo posto com 28%, tendo nos calcanhares Mendonça Filho do DEM com 27%.

É verdade que Dilma Rouseff deverá ser eleita senadora (26%), com o prestígio de ex-presidente injustiçada. Mas para a outra vaga, o candidato petista Miguel Correa está em décimo lugar, com 4%.

No Acre, Jorge Viana, com 43%, lidera para o Senado e assegura uma das vagas. O outro candidato petista, Ney Amorim, com 30%, está em quarto lugar, depois de Petecão (PSD) com 39% e Márcio Bittar (MDB) com 34%, mas poderia ainda avançar para um segundo lugar..

No Paraná, Roberto Requião (MDB), político valente e nacionalista, lidera com folga e poderá reeleger-se com 40%. O candidato petista, Alex Canziani, vem em quarto lugar com 9%.

O grande desafio para o PT é, à sombra da candidatura Haddad/Manuela, e com o prestígio próprio de seus candidatos, chegar a eleger um bom número de deputados. Na atual legislatura tinha a primeira bancada, com 61 deputados, acima do MDB (51), PSDB (49), PP (49) e DEM (43) (esta estimativa esteve sujeita e permanentes mudanças, que romperam com a fidelidade partidária). O PT conta com o apoio certo do PCdoB (10) e apoios eventuais do PSB (26) e PDT (19). O restante dos deputados está dividido pela multiplicidade de partidos, vários apenas com expressões clientelistas.

Qualquer governo eleito não terá maioria parlamentar e deverá fazer alianças para conseguir governabilidade. No caso do PT, para retomar um caminho histórico de reencontro com suas bases, ele teria de abrir-se a uma frente ampla, nacional, popular e democrata, como sugerido por várias fontes que querem olhar para além das conjunturas eleitorais.

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