Comentários de Steve Bannon sobre imigração são ''insultantes'' e ''ridículos'', afirma cardeal Dolan

George Martell /Pilot New Media CC

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09 Setembro 2017

O cardeal Timothy Dolan, de Nova York, afirmou que as declarações de um ex-alto conselheiro do presidente Trump de que os bispos católicos defendem os imigrantes em benefício econômico e para encher os bancos são “absurdos e bastante insultantes”.

A reportagem é de Kevin Clarke e Michael J. O’Loughlin, publicada no sítio da revista America, 07-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Falando ao programa The Catholic Channel, do canal SiriusXM, na quinta-feira, o cardeal rejeitou os comentários feitos ao programa CBS News pelo editor do site Breitbart, Stephen Bannon, dizendo: “Eu realmente não me importo em entrar naquilo que eu acho que é uma afirmação absurda e bastante insultante de que a única razão pela qual nós, bispos, cuidamos dos imigrantes é pelo [incentivo] econômico, porque queremos encher as nossas igrejas e ganhar mais dinheiro”.

“Isso é insultante, e isso é tão ridículo que nem merece um comentário”, disse.

No começo da quinta-feira, Bannon disse ao programa CBS News que ele acredita que a Igreja Católica tem sido “terrível” para Trump sobre a questão da imigração, acusando os bispos de apoiar os imigrantes por “interesse econômico” e porque eles são “incapazes de realmente lidar com os problemas da Igreja”.

O cardeal Dolan enfatizou que os ensinamentos da Igreja sobre acolher os imigrantes vêm diretamente da Bíblia.

“A Bíblia é tão clara, tão clara, que tratar o imigrante com dignidade e respeito, garantir que a sociedade seja justa no tratamento ao imigrante é um mandato bíblico”, disse ele ao programa The Catholic Channel.

“Isso está claro no Antigo Testamento – meus vizinhos judeus me lembram disso o tempo todo – e está claro nos lábios de Jesus, quando ele disse: ‘O que vocês fizeram ao menor dos meus irmãos, a mim o fizeram. Quando eu era estrangeiro – no sentido de um imigrante ou um refugiado – vocês me acolheram.”

Em outra resposta aparente a esses comentários, James Rogers, diretor de comunicação da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB), emitiu uma declaração esclarecendo a posição dos bispos dos Estados Unidos sobre a defesa e o cuidado dos migrantes e refugiados.

“A nossa posição pró-imigração está baseada na fidelidade à palavra de Deus e honra o sonho americano”, diz o comunicado. “Qualquer um que sugira que isso se deve a motivos sórdidos de estatística ou ganho financeiro é ultrajante e insultante.”

A declaração, que não foi assinada, descreveu como “absurda” a afirmação de que “a justiça para os imigrantes não é central para o ensinamento católico”.

Assim como os comentários do cardeal Dolan, a declaração aponta para a Bíblia como base para o ensino da Igreja sobre imigração.

“Ele vem diretamente do próprio Jesus, em Mateus 25: ‘Pois eu estava com fome e vocês me deram comida... era estrangeiro e vocês me acolheram’”, afirma-se. “Os imigrantes e os refugiados são precisamente os estrangeiros que devemos acolher.”

“Isso não é partidarismo católico”, continua. “A Bíblia é clara: acolher os imigrantes é indispensável para a nossa fé.”

Cuidar dos “sonhadores” estadunidenses “nada mais é do que tentar realizar esse mandamento aparentemente simples, mas, em última instância, incrivelmente exigente”.

“É um mandamento que se encontra ao longo de toda a Sagrada Escritura, desde as escrituras hebraicas, incluindo o Levítico: ‘Quando um imigrante habitar com vocês no país, não o oprimam’ (Lv 19, 33).”

De acordo com a declaração da USCCB, o testemunho dos bispos dos Estados Unidos sobre questões que vão da “pró-vida, ao pró-matrimônio, à pró-saúde, às reformas pró-imigração estão enraizadas no Evangelho de Jesus Cristo, e não nas convenientes tendências políticas do dia”.

“Somos chamados não à política ou ao partidarismo, mas a amar o nosso próximo”, continua. “Rejeitemos as forças da divisão que insistem em dizer que fazemos uma escolha falsa entre a nossa segurança e a nossa humanidade. É possível e moralmente necessário proteger a fronteira de uma maneira que garanta segurança e uma política de imigração humana.”

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