Francisco supera a fratura com a Teologia da Libertação

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Por: André | 03 Setembro 2014

Tem a Teologia da Libertação o respaldo do Papa Francisco? Mais que uma reabilitação, Francisco pretende superar uma fratura do passado recente da América Latina entre partidários e adversários, estendendo a mão aos mais pobres, segundo os observadores do Vaticano.

 
Fonte: http://bit.ly/1w3We7s  

A reportagem está publicada no sítio Religión Digital, 02-09-2014. A tradução é de André Langer.

Vários gestos recentes parecem corroborar a intenção de uma aproximação por parte da Igreja a esta corrente do pensamento cristão, nascida na América Latina nos anos 1970, que defende a causa de um clero mais próximo dos pobres e deserdados.

Em agosto, o Papa Francisco reafirmou seu apoio à causa da beatificação do arcebispo de San Salvador, Óscar Romero, “um homem de Deus”, defensor dos camponeses sem terra, assassinado em 1980 por um comando de extrema direita.

Em julho, levantou a proibição para celebrar missa ao padre Miguel D’Escoto Brockmann, ex-ministro de Relações Exteriores do governo sandinista da Nicarágua.

Antes disso recebeu um dos “pais” da Teologia da Libertação, o padre peruano Gustavo Gutiérrez (foto), que sempre teve uma concepção moderada dessa. Desde setembro passado, a assinatura de Gutierrez pode ser publicada no jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano.

Na imprensa vaticana, vários especialistas assinalaram que João Paulo II e Bento XVI nunca rechaçaram “a opção pelos pobres” contida nesta teologia, mas o que denominavam suas derivações marxistas.

Esta teologia causou uma fratura no clero e episcopado latino-americanos, durante a Guerra Fria e depois desta. Há 15 anos morreu o bispo brasileiro Hélder Câmara, figura emblemática de uma Igreja dos pobres, mas que não contava com os favores de Roma.

Francisco poderá encontrar-se em breve com Leonardo Boff. Segundo disse o teólogo brasileiro em uma entrevista recente, o Papa “me manifestou o desejo de um encontro. Pediu-me textos sobre ecologia, e uma proposta que elaborei – junto com D’Escoto e o padre belga François Houtart – de ‘Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade’, na ONU. Enviei-o através do embaixador argentino junto ao Vaticano, Juan Pablo Cafiero. Espero que possamos nos reunir logo”.