01 Outubro 2026
A informação é publicada por DW, 30-09-2026.
Ondas de calor extremas, incêndios florestais e emissões geradas por atividades humanas expuseram neste ano cerca de 40% da população mundial a níveis nocivos de ozônio, segundo análises divulgadas nesta quarta-feira (30/09) pelo Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS), programa da União Europeia.
O relatório mostra que a poluição atmosférica ultrapassou fronteiras e continentes ao lngo de 2026, afetando bilhões de pessoas. A Ásia foi a região mais impactada: entre janeiro e agosto, cerca de 60% dos habitantes estiveram expostos a concentrações "extremamente altas" de ozônio troposférico.
Na América do Norte, dois terços da população respiraram ar classificado como de qualidade "ruim" ou "muito ruim". Na Europa, o percentual ficou em torno de 50%, apesar dos avanços obtidos pelo continente na redução de outros poluentes atmosféricos.
O ozônio troposférico é um poluente secundário formado por reações químicas na atmosfera. Ele surge principalmente a partir dos óxidos de nitrogênio (NOx), emitidos pelo transporte terrestre e marítimo, pela indústria e por incêndios, além dos compostos orgânicos voláteis (COV), liberados sobretudo por atividades industriais e processos de combustão.
Sob a ação da radiação ultravioleta do Sol e das altas temperaturas, esses gases reagem e formam o ozônio. O fenômeno foi intensificado pelas sucessivas ondas de calor registradas em várias regiões do planeta em 2026.
Mais de 30% expostos a níveis "extremamente ruins"
Em escala global, cerca de um terço da população foi exposto a níveis considerados "extremamente ruins" de ozônio, enquanto outros 17% enfrentaram condições classificadas como "muito ruins". Apenas 5% dos habitantes do planeta respiraram ar com níveis considerados "bons" e 15% viveram em condições avaliadas como "aceitáveis".
A América do Sul apresentou o cenário mais favorável. Segundo o levantamento, 81% da população da região esteve exposta a níveis de poluição considerados bons ou aceitáveis. Cidades como o Rio de Janeiro, porém, estão entre as que registraram níveis "extremamente ruins" de poluição por ozônio.
Segundo o Copernicus, os níveis elevados observados neste ano também estão ligados aos grandes incêndios florestais que atingiram a Europa e a América do Norte. A fumaça produzida pelos focos avançou milhares de quilômetros além das áreas afetadas, deteriorando a qualidade do ar em regiões distantes.
Os dados reunidos pela plataforma "Atmosphere Watch", que combina milhões de observações de satélites, redes terrestres e sistemas globais de previsão atmosférica, mostram que a poluição não se limita ao local onde é gerada. O monitoramento acompanha a dispersão de ozônio, fumaça proveniente da queima de biomassa e poeira do deserto em escala global.
Durante a Copa do Mundo realizada em julho, por exemplo, incêndios florestais no Canadá e no oeste dos Estados Unidos produziram extensas plumas de fumaça que alcançaram cidades como Nova York e Nova Jersey, levando à emissão de alertas sanitários relacionados à qualidade do ar. O mesmo fenômeno se repete em Manaus nesta semana.
Na Europa, grandes incêndios registrados em países como França, Espanha e Bélgica também provocaram transporte de fumaça por longas distâncias, comprometendo a qualidade do ar em áreas situadas a milhares de quilômetros dos focos.
Ozônio afeta saúde, florestas e produção agrícola
O relatório destaca ainda episódios recorrentes de transporte de poeira do Saara pelo Atlântico Norte. As partículas alcançaram Cabo Verde e as Ilhas Canárias, causando nebulosidade e piora da qualidade do ar.
"A poluição por ozônio é um lembrete claro de como estão interligados a atmosfera, o clima, a saúde e os meios de subsistência", afirmou Laurence Rouil, diretora do Copernicus. Segundo ela, a circulação de poluentes entre países reforça a necessidade de respostas coordenadas em nível global.
O gás poluente localizado na camada mais baixa pode penetrar profundamente no sistema respiratório, provocando tosse, irritação nos olhos e dificuldade para respirar. A exposição prolongada também pode agravar crises de asma e os sintomas de doenças respiratórias, além de causar impactos sobre ecossistemas e a produção agrícola.
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