Restrições a veículos melhoram desenvolvimento pulmonar de crianças em Londres

Foto: Arjun Lama/Unplash

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20 Agosto 2026

Estudo mostra que tamanho e saúde dos pulmões de crianças londrinas melhoraram desde a implantação da Zona de Emissões Ultrabaixas.

A informação é publicada por ClimaInfo, 19-08-2026.

Um estudo liderado por pesquisadores da Queen Mary University of London indica que medidas para melhorar a qualidade do ar em Londres beneficiaram diretamente a saúde respiratória das crianças da cidade. Publicada na revista The Lancet, a análise revela melhoras no tamanho e na saúde dos pulmões de crianças entre 6 a 9 anos de idade entre 2018 e 2022, período no qual foi criada a Zona de Emissões Ultrabaixas (ULEZ, sigla em Inglês), que impôs restrições significativas à circulação de automóveis na capital inglesa.

O estudo acompanhou mais de 3,4 mil crianças em 84 escolas de Londres e de Luton, a cerca de 50 quilômetros da capital inglesa, que foi escolhida como grupo de controle por ter uma mistura semelhante de poluentes do tráfego, mas sem a zona de ar limpo. As medições iniciais, feitas antes da criação da ULEZ, em abril de 2019, mostravam que as crianças de Londres tinham pulmões significativamente menores em comparação com as de Luton.

Ao analisar os dados coletados ao longo de cinco anos, os pesquisadores descobriram que, após a implementação da ULEZ, o tamanho e a saúde dos pulmões das crianças de Londres melhoraram, tornando-se comparáveis aos das crianças de Luton. A pesquisa também demonstrou que essas trajetórias de crescimento pulmonar aprimoradas estavam fortemente associadas a melhorias na qualidade do ar após a implementação da ULEZ.

Segundo o estudo, a exposição das crianças londrinas ao dióxido de nitrogênio (NO2), liberado pela queima de combustíveis fósseis nos automóveis, diminuiu duas vezes mais rapidamente do que a das crianças de Luton.

À medida que a exposição ao NO2 diminuiu, o volume expiratório forçado (VEF) das crianças londrinas aumentou em 10 ml por ano a mais do que o das crianças de Luton. Ao final dos cinco anos, o VEF era o mesmo entre as crianças das duas cidades. A proporção de crianças com função pulmonar clinicamente comprometida caiu de 14% para 9% em Londres e de 9% para 7% em Luton.

“A poluição do ar é um problema global. Se quisermos melhorar a vida das crianças que vivem em ambientes urbanos de tráfego intenso, precisamos de medidas ousadas e ambiciosas. Nossos dados demonstram que as zonas de ar limpo podem ser uma intervenção eficaz de saúde pública para prevenir danos aos pulmões em desenvolvimento”, observou Ian Mudway, professor da Escola de Saúde Pública do Imperial College de Londres e coautor sênior do estudo.

O resultado da pesquisa foi celebrado pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, que liderou a criação e a ampliação da ULEZ, a despeito da pressão política contrária. “Embora ainda haja muito a ser feito, é evidente que a limpeza do ar da capital mudou para melhor a vida dos jovens londrinos – e nada poderia ser mais importante do que isso”, escreveu Khan no Guardian.

Em artigo no The Conversation, os autores principais do estudo reconhecem que a ULEZ pode não ter sido a única causa das melhorias observadas na pesquisa. Mas reforçam que a queda mais rápida na poluição relacionada ao tráfego, a cidade de comparação e o padrão de crescimento pulmonar, em conjunto, tornam plausível a interpretação causal. “A mensagem mais ampla é que a política de transportes também é uma política de saúde”, destacaram.

BBC, Bloomberg, CNN, Financial Times, Guardian, Sky News e Times repercutiram os resultados do estudo.

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