Meteorologista explica o que é o ciclone bomba que pode atingir o RS

Foto: Swapnadip Ghosh/Unsplash

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06 Agosto 2026

Impactos ficam restritos à costa e extremo-sul; uma frente fria trará temporais, rajadas de vento, granizo e queda brusca de temperatura entre quinta-feira, 6 de agosto, e sábado, 8, para outras regiões.

A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por ExtraClasse, 05-08-2026.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) monitora a formação de um sistema de baixa pressão que pode evoluir para um ciclone bomba. O fenômeno pode trazer temporais, rajadas de vento que podem superar 60 km/h, granizo, descargas elétricas e quedas bruscas de temperatura para o Rio Grande do Sul entre esta quinta-feira, 6 de agosto, e sábado, dia 8.

O meteorologista Murilo Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que as regiões costeiras e do Sul do estado serão mais impactadas pelos efeitos do ciclone, com rajadas de vento que podem chegar a 80 km/h. Mas os ventos mais intensos devem ocorrer sobre o Oceano Atlântico, com rajadas superiores a 100 km/h.

“O fato de ser um ciclone bomba diz respeito a essa queda de pressão muito acentuada de mais de 20 hectopascais (hPa), que é uma medida de pressão atmosférica, em um intervalo de 24 horas. O impacto direto do ciclone fica muito restrito às áreas costeiras e ao extremo sul gaúcho. No entanto, o centro do ciclone vai rapidamente para alto mar, se afasta da costa do Brasil e reduz muito os impactos dele por aqui”, elucida.

O sistema deve começar a se formar entre a Argentina e o Paraguai, avançando em direção ao Uruguai e litoral gaúcho. O Inmet indica que a intensificação do fenômeno, chamada de ciclogênese explosiva, condição necessária para classificar o fenômeno de ciclone bomba, pode ocorrer entre sexta e sábado. O órgão alerta para perigo, aviso de nível laranja, a partir de quinta, 6.

Frente fria e vendavais no RS

Será uma frente fria associada, que deve avançar rapidamente sobre o estado, a favorecer o risco de vendavais e queda de granizo.

“Esses vendavais associados a frente fria que avança a partir da tarde de quinta-feira vão ser capazes de produzir rajadas de vento bem mais significativas, que podem passar dos 90 km/h, 100 km/h. Então, essa condição está mais associada à frente fria que ao próprio ciclone, que vai rapidamente se deslocar para alto mar durante esse período”, descreve o meteorologista.

O Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC) publicou o Aviso Meteorológico nº 12 e atualizou que, já na madrugada e manhã desta quinta, há risco de tempestades isoladas com queda de granizo nas regiões Oeste, Campanha e Sul. Na tarde e noite da quinta, tempestades severas com rajadas de vento, que podem superar 90 km/h, queda de granizo (que pode ser grande), e chuva pontualmente intensa devem atingir as regiões Oeste, Missões, Campanha, Sul, Centro, Vales, Costa Doce e a Região Metropolitana de Porto Alegre.

O que é um ciclone bomba

O fenômeno acontece quando uma área de baixa pressão se intensifica rapidamente, o que aumenta o risco de ventos fortes, chuva intensa e mudança brusca de temperatura. O Inmet ainda monitora a possível formação do ciclone bomba dos próximos dias, que assim será classificado a depender de sua evolução.

A diferença de temperatura impacta na formação do processo, chamado de ciclogenese explosiva: ar frio, de um lado, e ar quente e úmido, do outro. Essse encontro favorece a formação de uma área de baixa pressão. Se confirmado, o centro do ciclone permanecerá sobre o Oceano Atlântico.

El Niño

Não se pode atribuir diretamente a ocorrência de um ciclone bomba ao El Niño. O fenômeno altera o padrão de temperaturas, distribuição das chuvas e circulação de ventos em diferentes partes do planeta.

“Temos tipicamente a formação destes ciclones durante o período de primavera e inverno em áreas do Sul. Estamos em uma região muito favorável a formação de ciclones extratropicais, tanto que temos diversos registros anualmente de ciclones que se formam próximo à costa. A grande questão é que o El Niño vai favorecer a frequência desses eventos, então isso vai permitir que a gente possa ter uma repetição de cenários como esse ao longo da primavera”, analisa o meteorologista da UFSM.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando os padrões climáticos mundiais. No Brasil, ocasiona secas prolongadas nas regiões Norte e Nordeste e chuvas intensas na região Sul. Para o Centro, Norte e Nordeste do país, o fenômeno tende a ser ainda mais preocupante, dado que ocasiona aumento de secas e a possibilidade de incêndios florestais.

O consenso científico mundial, desde a década de 1980, é de que as causas das mudanças climáticas atuais são humanas, causadas por gases de efeito estufa emitidos pela queima de combustíveis fósseis, desmatamentos, uso inadequado do solo e processos industriais em larga escala.

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