"Os fiéis não devem ser obrigados a ir a uma comunidade separada de Pedro para encontrar a missa tradicional". Entrevista com James Conley, bispo de Lincoln, Nebraska

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01 Julho 2026

O bispo James Conley, da diocese americana de Lincoln, Nebraska, defendeu o crescente interesse pela liturgia tradicional entre as gerações mais jovens e encorajou os fiéis atraídos pelo Vetus Ordo a permanecerem em plena comunhão com a Igreja, evitando participar das celebrações da Fraternidade São Pio X (FSSPX).

A reportagem é publicada por InfoVaticana, 29-06-2026.

Em entrevista ao programa EWTN News In Depth, o prelado abordou tanto o papel da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) quanto o anúncio das consagrações episcopais planejadas pela FSSPX, que Roma alertou que poderiam causar um cisma.

"Os jovens buscam reverência e transcendência"

Conley explicou que a FSSP mantém uma estreita colaboração com a Diocese de Lincoln há mais de 25 anos, onde se localizam o seminário norte-americano da fraternidade e uma paróquia dedicada exclusivamente à celebração da Missa tradicional.

Longe de apresentar a coexistência de ambas as formas do rito romano como uma fonte de tensão, o bispo assegurou que existe uma relação de plena colaboração entre os seminários e sacerdotes diocesanos e os da fraternidade.

"Tem havido grande harmonia e uma espécie de enriquecimento mútuo entre aqueles que preferem a Missa Tridentina e aqueles que preferem a Forma Ordinária. Não há tensão entre as duas", afirmou ele.

Segundo Conley, o apelo da liturgia tradicional deve-se principalmente a uma busca espiritual entre as novas gerações.

"Há um ressurgimento do interesse por tudo o que é tradicional, especialmente entre os jovens. Vejo isso na minha própria diocese. Eles buscam reverência, buscam transcendência, buscam beleza na liturgia", disse ele.

"Você não pode recorrer à FSSPX"

Ao ser questionado sobre as anunciadas consagrações episcopais da Fraternidade São Pio X sem mandato pontifício, o bispo foi enfático.

"É muito triste porque, na história da Igreja, sempre que há uma ordenação episcopal sem mandato papal, ocorre um cisma. Sempre causa uma ruptura, uma divisão", afirmou.

Conley lembrou o esforço feito por Bento XVI para restabelecer o diálogo com a fraternidade após o levantamento das excomunhões dos quatro bispos consagrados por Marcel Lefebvre em 2009, e lamentou que a FSSPX finalmente tenha decidido prosseguir com novas consagrações.

"Um ato como este rompe claramente o vínculo apostólico com Pedro", acrescentou.

O bispo também concordou com as recentes declarações do cardeal Gerhard Müller, que afirmou que os católicos não devem participar de missas celebradas por padres de uma comunidade que se encontra em estado de cisma.

"Concordo com Vossa Eminência. Simplesmente não é possível comparecer", respondeu Conley.

Mais sacerdotes para celebrar a liturgia tradicional.

Para o Bispo de Lincoln, a solução não é que os fiéis busquem comunidades separadas de Roma, mas sim que aumentem a disponibilidade de celebrações tradicionais em plena comunhão eclesial.

Ele lembrou que, além da presença da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, em sua diocese há padres diocesanos autorizados pela Santa Sé a celebrar regularmente a Missa segundo o Missal de 1962.

Ele também destacou que o seminário da FSSP mantém cerca de noventa seminaristas por ano e ordena uma dúzia de novos sacerdotes, o que lhe permitirá atender à crescente demanda de fiéis interessados ​​nessa forma litúrgica.

"O objetivo deve ser precisamente esse: atender às necessidades daqueles que desejam essa forma de missa. As pessoas não devem se sentir obrigadas a ir a uma comunidade ou a um padre que tenha rompido com Pedro", afirmou ele.

"O Novus Ordo também está se tornando mais tradicional."

Cinco anos após a promulgação da Traditionis custodes, Conley afirmou perceber uma evolução na forma de celebrar a forma ordinária do rito romano.

Membro do conselho diretor do Instituto Bento XVI para a Sagrada Liturgia, o bispo acredita que uma sensibilidade mais tradicional está crescendo, mesmo entre aqueles que celebram regularmente o Novus Ordo.

"Acho que estamos vendo uma tendência para uma celebração mais tradicional, mesmo no Novus Ordo, e acho que isso é uma coisa boa", disse ele.

Nesse contexto, ele encorajou os fiéis que desejam uma liturgia mais solene a não perderem a paciência.

"Não abandonem a Igreja nem desistam. Acredito que há muitos motivos para ter esperança", concluiu ele.

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