El Niño pode levar 2027 ao posto de ano mais quente já registrado

Foto: Sardar Faizan/Unsplash

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01 Julho 2026

Organização americana prevê novos recordes na temperatura média global nos meses finais de 2026 e no início de 2027; por enquanto, máximas são regionais.

A informação é de Priscila Pacheco, publicada por Observatório do Clima, 30-06-2026.

Nenhum mês de 2026 registrou – ainda – temperaturas médias globais recordes, apesar do calor extremo em algumas partes do planeta, como o vivenciado pela Europa nos últimos dias. O retorno do El Niño, no entanto, tem tudo para mudar este cenário, analisa a organização americana Berkeley Earth.

Com cinco meses completos de dados — de janeiro a maio — e uma previsão de 62% de probabilidade de um El Niño “muito forte”, a Berkeley Earth projeta uma elevação da temperatura média global nos meses finais de 2026 e ao longo de 2027. Na prática, isso significa que o calor extremo observado agora pode se intensificar, aumentando as chances de 2027 ultrapassar 2024 e assumir o posto de ano mais quente já registrado.

Por enquanto, considerando os impactos do fenômeno até o momento, a probabilidade de 2026 se tornar o ano mais quente já registrado é de apenas 2,5%. Essa estimativa, porém, ainda pode aumentar à medida que o El Niño se intensifique, diz a organização.

O El Niño eleva naturalmente as temperaturas globais. O fenômeno, no entanto, tem sido potencializado pelo aquecimento global provocado por atividades humanas, como o desmatamento e a queima de carvão, petróleo e gás.

Números de maio

De acordo com a organização, maio de 2026 foi o segundo mais quente que se tem registro, perdendo apenas para maio de 2024. No mês, a temperatura média global ficou 1,35ºC (variação de 0,11ºC para mais ou para menos) acima dos níveis pré-industriais (1850-1900).

A temperatura sobre os continentes ficou, em média 1,62ºC (+-0,21ºC) acima da média de 1850-1900, fazendo com que maio de 2026 seja o terceiro mais quente já registrado em áreas terrestres.

As temperaturas dos oceanos ficaram 1,11 ºC (± 0,13 °C) acima da média de 1850-1900, tornando este o segundo maio mais quente já registrado para a superfície dos oceanos, embora, na prática, esteja tecnicamente empatado com o primeiro lugar (2024).

No mês passado, foram observadas temperaturas elevadas na maioria das regiões, principalmente na Europa Ocidental, no noroeste da Ásia, em partes da Antártida. O boletim destaca que oito países registraram médias nacionais de calor recorde em maio: Cabo Verde, Malawi, Zâmbia, El Salvador, Japão, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Singapura. Condições mais frias foram registradas em partes da América do Sul e do Oriente Médio.

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